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Publicada em 13/09/2018 às 23:41
Estudo da Comlurb traça perfil de moradores da Barra e de bairros vizinhos a partir do lixo
Estudo da Comlurb traça perfil de moradores da Barra e de bairros vizinhos a partir do lixo
A Comlurb realiza análise gravimétrica do lixo há 23 anos - Gustavo Miranda
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Diariamente, milhares de embalagens plásticas são descartadas por moradores da Barra e do Recreio, felizmente, bairros com grande adesão à coleta seletiva. Embalagens de comidas congeladas e produtos com entrega em domicílio (principalmente pizza e comida japonesa) também são encontrados em grande volume, assim como garrafas de vinho e uísque. Estas são algumas particularidades reveladas pela Comlurb ao analisar o lixo domiciliar da Área de Planejamento 4 (AP 4), a pedido do GLOBO-Barra. Por mês, a região gera 26 mil toneladas de resíduos sólidos domiciliares.

A companhia coleta este tipo de informação há 23 anos, mensalmente, em seu Centro de Pesquisas Aplicadas, em Vargem Pequena. É a chamada análise gravimétrica, que tem como objetivo levantar os hábitos de consumo da população de cada área da cidade para nortear o trabalho da companhia, ajudando a definir do número de postos de reciclagem necessário ao de caminhões.

— O estudo gravimétrico da Comlurb tem um diferencial, porque em outros locais do Brasil e do mundo essa análise é encomendada pontualmente. Aqui, ela é feita o ano todo — diz Bianca Quintaes, gerente do núcleo.

O plástico compõe a segunda maior porcentagem do lixo domiciliar, perdendo apenas para o material orgânico. O maior consumo é na Barra. Eletroeletrônicos passaram a ser encontrados em maior escala a partir de 2009, e hoje representam 0,48% do lixo total. O uso de vidro, metais e papel/papelão também são quantificados pela Comlurb, e servem ainda como indicadores de poder aquisitivo.

— Nos últimos anos, o consumo de eletroeletrônicos aumentou, e eles se tornaram quase que descartáveis. Ninguém mais conserta celular. Em relação aos recicláveis, em todo o mundo é sabido que, quanto mais desse material no lixo, maior o PIB e o poder aquisitivo. Reclicláveis são artigos que custam mais: pedir comida é mais caro que cozinhar em casa — exemplifica Bianca.

Renato Goettoms (à esquerda) e Orlando Bandeira afirmam que, apesar de a crise ter mudado o consumo, não deixaram de comprar a bebida que mais gostam de degustar - Emily Almeida

Além de grande quantidade de supérfluos e produtos de valor — é na AP4, por exemplo, que se encontra o maior volume de importados, incluindo bebidas, perfumes e cosméticos, de toda a cidade —, o lixo da região concentra uma grande quantidade de seringas e outros materiais hospitalares, indicando alta frequência de tratamentos em sistema de home care. Fraldas geriátricas são outro produto muito encontrado na Barra e no Recreio, indicando a faixa etária elevada da população local, tendência já apontada pelo IBGE no Censo de 2010.

Outra curiosidade diz respeito aos alimentos. Na matéria orgânica dispensada no Recreio, há uma grande quantidade de alimentos crus. Alimentos cozidos costumam ser indicativo de menor poder aquisitivo: não, por acaso, no bairro, são mais encontrados na área do comunidade do Terreirão.

— Isso significa que os moradores da área comem mais em casa — avalia Bianca.

O lixo de Vargem Grande e Vargem Pequena, por sua vez, apresenta altos percentuais de matéria orgânica, mas, neste caso, a interpretação é que seus moradores têm melhores hábitos alimentares, com aposta em comida caseira e hortas.

Moradora da Barra, Fernanda Garcia só compra comida congelada - Emily Almeida

No lixo do Itanhangá, área residencial e muito arborizada, destacam-se folhas e flores. Embora Vargem Grande e Vargem Pequena também tenham muitas casas, o baixo percentual deste tipo de lixo nos dois bairros indicada, segundo a Comlurb, que seus moradores costumam usá-lo para realizar compostagem caseira ou o descartam na natureza.

O Tanque é o segundo bairro da região no descarte de plástico, devido, em grande parte, ao alto consumo de fraldas infantis. De acordo com a tabela de população residente do DataRio, baseada no Censo de 2010 do IBGE, 2.540 crianças de 0 a 4 anos moram no local, o que explica o resultado.

Os dados usados nesta reportagem correspondem à análise gravimétrica feita pela Comlurb ao longo do ano de 2017 na região.

CRISE ECONÔMICA MODIFICOU HÁBITOS

Alencar Lúcio de Olveira Sobrinho é um dos sete garis que integram a equipe de estudos gravimétricos da Comlurb. Ele diz ter observado que a crise econômica fez com que alguns produtos desaparecessem do lixo da região, como certos enlatados e importados:

— Até as pessoas com alto poder aquisitivo estão comprando produtos mais acessíveis e de marcas inferiores. E muitos trocaram seus jornais e revistas por publicações mais baratas.

Moradores da Barra e apreciadores de uísque, Renato Goettoms e Orlando Bandeira concordam que a crise afetou o consumo da bebida. Foi preciso fazer adaptações.

— Não dá para beber um uísque de 21 anos todo dia, mas dá para apreciar um mais simples e deixar o mais especial para outra ocasião — diz Bandeira.

Os garis da equipe responsável pelo mapeamento do lixo coletado na cidade - Emily Almeida

A gerente comercial Fernanda Garcia também ilustra o comportamento do morador típico do bairro traçado pela análise gravimétrica. Em sua casa, há grande descarte de embalagens de alimentos congelados.

— Preciso de praticidade no dia a dia e não tenho tempo para cozinhar. Fiz os cálculos, e o melhor investimento no meu caso é em comida congelada — conta.

O estudo realizado no Centro de Pesquisas Aplicadas da Comlurb auxilia também projetos desenvolvidos em universidades. Juacyara Carbonelli, da Escola de Química da UFRJ; Daniele Vila, da Engenharia Ambiental da Uerj; Lucileia Colares, do Instituto de Nutrição da UFRJ; e Marco Miguel, do Instituto de Microbiologia da UFRJ, estão entre os professores que solicitam os estudos realizados pela companhia.

— Preciso saber os tipos de materiais descartados pela população para buscar micro-organismos que possam ser usados na degradação destes materiais. Os profissionais da Comlurb atuam como parceiros de pesquisa, mais do que como prestadores de serviço — diz Miguel.

— O estudo da composição gravimétrica dos resíduos sólidos urbanos que a Comlurb faz é importante para várias dissertações e teses de pós-graduação do Departamento de Engenharia Sanitária e do Meio Ambiente da Faculdade de Engenharia. Esses dados são utilizados com o intuito de caracterizar as frações dos materiais que compõem os resíduos sólidos urbanos gerados em uma determinada região ou no município, para subsidiar discussões sobre as alternativas tecnológicas de tratamento e gestão integrada de resíduos e estudos sobre a composição do chorume e seu tratamento — explica Daniele.

O Centro de Pesquisas Aplicadas tem também um laboratório de microbiologia, um setor de insetos e roedores, um horto e um laboratório de análises físico-químicas. Bianca Quintaes, gerente do núcleo, afirma que, através do perfil microbiano do lixo, também é possível discriminar os produtos consumidos em cada área.

— Em uma área em que é consumido mais pescado, os micro-organismos vão ser diferentes de uma área que consome menos. Pesquisamos amostras de diferentes ambientes — exemplifica.

No laboratório de físico-química, são feitas análises em conjunto com o laboratório de microbiologia, além de testes de todos os produtos que são comprados em licitações para serem utilizados em escolas, hospitais e áreas públicas da cidade.

— Precisamos ter certeza de que os sacos de lixo usados nos hospitais, por exemplo, não vão vazar. Além disso, é muito comum as empresas entregarem remessas menores do que as que foram compradas — lamenta Verônica Amorim, gerente do laboratório.

No setor de vetores e roedores, são testados os venenos usados em todo o município. No horto, estão as mudas usadas na recuperação de áreas degradadas da cidade ou onde ocorre descarte inadequado de resíduos.

— O horto é também o local de trabalho de garis que estão afastados por problemas emocionais e deficientes físicos — explica Bianca.

Com seu trabalho, a equipe do Centro de Pesquisas Aplicadas da Comlurb desenvolveu outra certeza: a de que, com ajuda da população, a coleta de seletiva de lixo poderia crescer:

— Hoje, a maioria dos bairros é contemplada com esse serviço, mas muita gente ainda não aderiu à separação dos resíduos. Além disso, as indústrias deveriam se responsabilizar pelos seus recicláveis. A logística reversa ainda não é feita como exige a política nacional de resíduos sólidos exige — diz Bianca.

Qualquer pessoa pode ter acesso aos dados da análise gravimétrica do lixo, entrando em contato com a Comlurb pelo pesquisacomlurb@gmail.com.

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fonte: https://oglobo.globo.com/rio/bairros/estudo-da-comlurb-traca-perfil-de-moradores-da-barra-de-bairros-vizinhos-partir-do-lixo-23060231

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