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Publicada em 18/04/2019 às 22:28
Moradores e frequentadores da Barra traçam estratégias para circular por locais que sempre alagam em dia de temporal
Moradores e frequentadores da Barra traçam estratégias para circular por locais que sempre alagam em dia de temporal
O canal na Estrada do Rio Morto transborda e a água invade a pista quando chove muito Foto: Pedro Teixeira / Agência O Globo
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Na manhã do dia 9, uma terça-feira, poucas horas após o temporal que deixou um rastro de destruição no Rio de Janeiro, as imagens de bombeiros usando snorkel para procurar possíveis vítimas num carro submerso dentro do mergulhão da Avenida Armando Lombardi, na altura do Barra Point, chamado de Mergulhinho, causaram espanto a muitos cariocas. Mas não a moradores e frequentadores da Barra e dos bairros vizinhos. Este é apenas um dos pontos da região que alagam sempre que chove forte na cidade. A equipe do GLOBO-Barra percorreu alguns deles cerca de 48 horas depois da última inundação e constatou que os problemas são, principalmente, drenagem e manutenção insuficientes. Diante da situação recorrente, a população cria estratégias para tentar se proteger.

Os mergulhões da região costumam encher. O do Jardim Oceânico foi liberado ainda na terça-feira passada, mas, na quarta, o Mergulhão Billy Blanco, na altura da Cidade das Artes, no sentido Jacarepaguá, permanecia fechado, devido ao volume de água acumulado.

A interdição deste mergulhão no corredor Transcarioca é mais comum quando a chuva aperta do que os passageiros de ônibus gostariam. A cuidadora de idosos Simone Rosa, que pega dois ônibus para chegar ao trabalho, na Barra, já tem uma rota de fuga: quando chove muito, salta do primeiro antes do seu ponto habitual e atravessa a passarela para chegar ao Terminal Alvorada.

— Desci antes do mergulhão para não esperar o ônibus dar a volta. Com temporal, tem sempre muito engarrafamento — conta.

O Terminal Alvorada também costuma ter problemas. O andar subterrâneo, com lojas e acessos a diferentes pontos de embarque, comumente acumula água da chuva. A dificuldade às vezes se estende às plataformas, onde passageiros circulam com os pés molhados. No temporal do dia 8, a situação foi pior: ônibus do BRT tiveram dificuldade para encostar na plataforma e apanhar ou deixar passageiros.

Caroline Alvarez usa galochas e insulfilm para atravessar a Rua Paulo José Mahfud Foto: Pedro Teixeira / Agência O Globo

— Lá embaixo sempre tem água, e às vezes a pista também está com bolsões — atesta o entregador de quentinhas Arthur Nogueira.

O aposentado mineiro Sebastião Alves, que veio ao Rio visitar uma prima, moradora da Taquara, ficou preso na Barrinha no dia do temporal, ilhado na Praça Desembargador Araújo Jorge. Na quarta-feira, além da lama acumulada ao redor, era possível ver nos muros do entorno a marca deixada pela água.

— Fiquei aqui mais de duas horas. Só quando escoou pude andar até a passarela para pegar um ônibus. Mesmo assim, ainda demorei entre duas e três horas para chegar à Taquara — diz Alves.

O taxista José Gomes de Souza, afirma que a situação se repete. Por isso, encerra o trabalho quando vê nuvens pesadas se formando. As consequências, quase sempre, duram alguns dias. Quando O GLOBO-Barra esteve no local, os táxis enfileirados no ponto do lado esquerdo da Rua Professor Ferreira da Rosa procuravam driblar um vazamento de esgoto.

— Toda vez o esgoto transborda. As saídas estão entupidas, e qualquer chuva é suficiente para fazer descer água das ruas próximas. É só o céu escurecer que vou para casa. Tenho que passar por outros pontos que enchem, como Rio das Pedras, e prefiro não me arriscar — conta.

Mergulhão Billy Blanco tem pista bloqueada até a água ser bombeada Foto: Pedro Teixeira / Agência O Globo

Para o professor e coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Veiga de Almeida, Carlos Murdoch, a região enfrenta problemas decorrentes de suas características geográficas. Investimentos em infraestrutura ajudariam a evitar ou minimizar alagamentos.

— A Baixada de Jacarepaguá é uma região frágil em termos ambientais. É baixa, tem solo de areia e recebe água dos maciços da Tijuca e da Pedra Branca. Além disso, o lençol freático está bem próximo da superfície, sem grande capacidade de absorção — explica. — Hoje não temos uma estratégia muito clara para evitar as enchentes na Barra. Medidas como piscinões, telhados verdes e galerias e bueiros limpos ajudariam.

Inundações de rios e chuvas

Próximo a muitos cursos d’água da região, canalizados ou não, assoreamento e acúmulo de lixo e de esgoto têm dificultado o escoamento natural. Em Vargem Grande, o Rio Morto costuma avançar sobre a estrada que leva seu nome sempre que chove muito, formando bolsões nas duas pistas. Na quarta-feira após o último temporal, pouco antes de um ponto de alagamento, na altura do número 1.020, havia nove placas de veículos abandonadas. Na calçada, pedaços de concreto atrapalhavam os ciclistas que se arriscavam a cruzar a pista.

Pista de ônibus do Terminal Alvorada ficou alagada na semana passada Foto: Reprodução/Facebook

O canal entre as ruas Paulo José Mahfud e Ciro Aranha, em Vargem Pequena, também costuma transbordar. É comum moradores das redondezas molharem os pés ao saírem de casa, principalmente os que vivem em residências mais afastadas da Estrada dos Bandeirantes — via, aliás, que também sofre com inundações em vários pontos.

Vizinhos dizem não haver limpeza regular do canal. O assoreamento dificulta o escoamento da água e mantém o solo encharcado. No trecho da Paulo José Mahfud onde a pista tem declínio maior, a situação é mais grave.

— Qualquer chuva enche o canal e as ruas. Há nove anos, perdemos coisas dentro de casa, mas foi algo atípico. Em outras ocasiões, o canal vinha enchendo, mas não assim. Em fevereiro, a água chegou até nossa portaria. No mês passado, pintamos a casa, e agora voltou a encher dentro do imóvel. Ninguém cuida do canal — reclama Caroline Alvarez, que morou na via até o ano passado e estava visitando a família. — Para sair, uso galocha e insulfilm enrolado nas pernas, até a altura do joelho.

Rogério Pereira da Silva conhece bem o bairro por prestar serviços gerais na região. Atravessando o rio formado em pleno asfalto, lista pontos onde a cena é a mesma:

— Na Santa Luzia, perto do posto de saúde, está assim. Em frente à Vila Taboinha, também. Aqui na Paulo José Mahfud, choveu, encheu.

O Itanhangá também sofre com temporais. No último, a comunidade da Muzema — onde dois prédios desabaram, na última sexta-feira — foi o local mais duramente atingido. Em toda a região, outras comunidades, como Morro do Banco, Rio das Pedras e Beira-Rio, foram castigadas pela chuva mais uma vez.

Água e lama ainda faziam parte da paisagem de ruas como a Conde D’Eu, na Barrinha, dois dias após o temporal Foto: Pedro Teixeira / Agência O Globo

Em resposta às reclamações dos moradores, a Secretaria municipal de Conservação e Meio Ambiente afirma que o Mergulhão Billy Blanco e o Mergulhinho “sofrem com constantes furtos nos equipamentos de bombeamento hidráulico, prejudicando o escoamento da água em caso de chuvas”. Em situações emergenciais, caminhões específicos para este tipo de trabalho são usados. A pasta acrescenta que a limpeza dos bueiros é feita constantemente, o que garantiu a rápida eliminação de bolsões em alguns trechos, como pontos da Avenida Ayrton Senna.

A RioTer, responsável pela administração da área de lojas do Terminal Alvorada, diz que está investindo na aquisição de equipamentos e em monitoramento “para conter a elevação do nível de água pluvial decorrente do represamento existente nas vias e equipamentos públicos do entorno”. Destaca ainda ter solicitado ao poder público que faça intervenções próximo ao terminal para prevenir enchentes.

O Consórcio BRT, por sua vez, afirmou que não tem conhecimento de alagamentos da pista do BRT no Terminal Alvorada, apesar dos relatos ouvidos pela equipe do GLOBO-Barra e de um vídeo que circulou em redes sociais mostrar a pista inundada.

Já a Rio-Águas afirma que concluiu em março um serviço de limpeza no Rio Morto, e as pistas da via homônima foram inundadas no temporal de 8 de abril devido ao volume de chuvas e pelo fato de aquele se tratar “de trecho com cota baixa em relação ao nível do rio”. Houve intervenção também, segundo a pasta, no canal de Vargem Pequena, seguindo um cronograma que prevê limpeza e desassoreamento em todos os cursos d’água da região ao longo do ano, a fim de prevenir inundações.

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fonte: https://oglobo.globo.com/rio/bairros/moradores-frequentadores-da-barra-tracam-estrategias-para-circular-por-locais-que-sempre-alagam-em-dia-de-temporal-23607249

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