Busca:
Notícias Notícias:
Publicada em 13/05/2019 às 09:16
Aqui se faz, aqui se bebe: Conheça os bares da Barra que produzem sua própria cerveja
Aqui se faz, aqui se bebe: Conheça os bares da Barra que produzem sua própria cerveja
Sócios da cervejaria Tio Ruy, Marcela Oberlaender e Eduardo Pontes Foto: Pedro Teixeira / Agência O Globo
  • Aqui se faz, aqui se bebe: Conheça os bares da Barra que produzem sua própria cerveja
  • Aqui se faz, aqui se bebe: Conheça os bares da Barra que produzem sua própria cerveja
  • Aqui se faz, aqui se bebe: Conheça os bares da Barra que produzem sua própria cerveja
  • Aqui se faz, aqui se bebe: Conheça os bares da Barra que produzem sua própria cerveja

Eles entendem tudo de maltes, lúpulos e leveduras. Sabem diferenciar uma ale de uma lager no primeiro gole e dominam como ninguém processos como brassagem, fervura, resfriamento de mosto, maturação... Ah, e ainda esperam até um mês para experimentar a cerveja perfeita: aquela que produziram. Nesse incrível e embriagante universo cervejeiro, quem entra dificilmente sai. E o encantamento é tanto que muitos decidem fazer da cerveja artesanal um caminho profissional a trilhar.

Segundo Leonardo Botto, sommelier, consultor, produtor de cervejas e referência no assunto, a região vive um momento único, em que os antigos cervejeiros caseiros estão empreendendo e abrindo espaços para produzir e vender cervejas personalizadas em seus brew pubs.

— Esse movimento de fazer cerveja com a personalidade do local é mundial. E agora está sendo descoberto na região, que já teve representantes icônicos como a Dado Bier e a Slavia, no New York City Center — afirma ele, para quem essa tendência tem tudo para consolidar Barra , Recreio e adjacências como um relevante polo cervejeiro da cidade.

Há também os empresários que em vez de comprarem a fórmula de uma fábrica de cerveja e imprimirem nela a sua marca decidem fazer todo o trabalho. Foi o que aconteceu com a rapaziada do Growler2Go , no Recreio. Há dois anos, Marcelo Barbosa e Albary Telles abriram o espaço com o singelo objetivo de oferecer cerveja para ser levada em growlers. Eles compravam bebidas de outros fornecedores e revendiam para os clientes.

— O grande barato era poder levar a cerveja fresca para beber onde se quisesse, não necessariamente no bar — lembra Barbosa.

Pouco mais de um ano depois, Barbosa e Telles decidiram começar a produzir a própria cerveja. Fizeram cursos, se especializaram e só no último dia 13 de março obtiveram permissão para iniciar a produção.

— Cheguei a chorar quando recebemos a autorização. Ficamos muito felizes e emocionados. Agora é trabalhar em cima dessa novidade, pois muitos dos nossos clientes antigos ainda não sabem que produzimos nossa própria cerveja — admite Barbosa.

Growlers2Go. Marcelo Barbosa (à esquerda) e Albary Telles: 21 torneiras de cerveja artesanal à escolha do cliente Foto: Pedro Teixeira / Agência O Globo

Telles conta que cada brassagem rende cerca de 250 litros de cerveja. Atualmente, o bar tem 21 torneiras, sendo, pelo menos cinco ou seis delas com produções próprias:

— Mais um vez apostamos no conceito de cerveja muito fresca. Ela sai fria do tanque, vai para a câmera fria e é servida gelada.

Não muito longe dali, uma nova cervejaria está quase pronta para abrir as portas. Trata-se da Ziege Zag, em Vargem Pequena, dos sócios Daniel Arditti, Salvador Lamas e Gustavo Arditti. Falta somente uma visita técnica do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A estrutura está toda pronta, e os sócios são pura expectativa.

— Queremos ser a cerveja das Vargens. Já apresentamos nossas criações para os restaurantes da região e todos aprovaram — revela Daniel Arditti.

Ziege Zag. Os sócios Daniel Arditti e Salvador Lamas: na expectativa para dar início à comercialização Foto: Gabriela Fittipaldi / Agência O Globo

Usando o bom humor como um dos principais ingredientes, os sócios já produziram algumas cervejas.

— Entre as criações, temos a Cabrita, nossa pilsen, a Rapaipa e uma witbier com manga, raspas de limão galego e coentro. Vamos produzir também cervejas sazonais com frutas e ervas cultivadas aqui no sitio — diz.

Sabores tradicionais, inovações ou tudo combinado

Os estilos de cerveja podem ser consultados no o guia “Beer judge certification program”, o mais famoso do segmento. Cada cervejeiro artesanal decide se quer se manter fiel ao tradicional ou se prefere brincar com as percepções de estilo para surpreender os clientes. No Tio Ruy, há espaço para todas. O bar instalado no Mercado de Produtores, no Uptwon Barra, ganhou uma cervejaria própria há cinco meses.

— Temos cinco cervejas em linha, que são as mais tradicionais, mas de vez em quando piramos nas criações. Até porque precisamos trazer coisas novas para o público — diz a sommelier Marcela Oberlaender, que abriu o espaço com o marido, Eduardo Pontes, há dois anos.

Segundo ela, o espaço foi aberto com as missões de atender o cervejeiro caseiro que quer empreender e popularizar a cerveja artesanal. Até o fim do ano, os sócios pretendem implantar uma escola cervejeira no local.

— Um dos grandes baratos desse mercado é que todo mundo se ajuda — diz.

O mestre-cervejeiro da casa, Gustavo Reis, conta que o segredo é fazer experimentações a partir de escolas e estilos. Dentro deles, cada um vai escolhendo matérias-primas para fazer com o produto final saia o mais redondo e com o melhor paladar possível:

— As criações são sempre pensando no público, e ele tem aceitado bem a pegada artesanal. Exploramos todas as escolas cervejeiras, como a americana, a inglesa, a belga e a tcheca.

Atravessando gerações. João Pedro deu continuidade ao trabalho do pai, Lúcio Lenz, no Vice-Rey Foto: Pedro Teixeira / Agência O Globo

Há 13 anos, muito antes de a cerveja artesanal se tornar o centro das atenções, um empresário visionário, Lúcio Lenz, decidiu abrir uma microcervejaria dentro de seu restaurante, na Barra. Foi um fator que tornou o Vice-Rey, no Jardim Oceânico, referência no mundo cervejeiro, em especial, na região. Lenz morreu no começo do ano, mas deixou seu legado para o filho, João Pedro, que já era seu braço-direito.

— Ele era muito meticuloso, tanto na vida quanto no restaurante — lembra o filho, ressaltando a precisão do pai na produção da bebidas. — Fazer cerveja não é difícil. Fazer uma boa cerveja já complica. E repetir o processo é mais difícil ainda. Agora, manter isso por 13 anos, sem dúvida, é um diferencial.

João Pedro preferiu manter o estilo do pai e oferecer apenas duas variedades: uma golden pilsen e uma amber ale, ambas são servidas em canecas zero grau, com espuma transbordando.

— Só trabalhamos com insumos importados e, ao longo destes anos, fizemos pequenas alterações nas receitas para ter sempre algo que encante. Fabricar cerveja é uma aventura constantemente desafiadora — acredita.

Há quem se apaixone pelas cervejas artesanais a tal ponto que decida produzi-las em casa, além de consum-las em bares e restaurantes. Como o preparo pode levar até um dia inteiro, muitas vezes é feito em meio a reuniões de amigos, churrascos e, claro, muita cerveja artesanal.

— A cerveja se torna o centro de qualquer reunião. E poder servir para seus amigos uma cerveja que você produziu, com a sua impressão digital, é muito legal — conta a cervejeira Thatiana Cardoso.

Há três anos ela e o marido, Adrian, abriram na Barra a Enigmalte, loja de insumos, equipamentos e cursos voltados para a produção de cerveja caseira que atende tanto a estabelecimentos quanto a quem se arrisca a fazer cerveja na panela, em casa. Ela diz que a procura só aumenta:

— Muito mais gente está se interessando, em parte porque estão sendo derrubados mitos como este ser um hobby caro ou precisar de muito espaço. Quando alguém diz que não gosta de cerveja, costumo dizer: “Você ainda não bebeu uma cerveja que goste”.

« leia mais notícias

fonte: https://oglobo.globo.com/rio/bairros/aqui-se-faz-aqui-se-bebe-conheca-os-bares-da-barra-que-produzem-sua-propria-cerveja-23654308

Cadastre-se para receber a nossa newsletter: