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Publicada em 04/09/2019 às 23:48
A evolução da mobilidade da Barra da Tijuca
A evolução da mobilidade da Barra da Tijuca
Foto: Divulgação

Desde a criação do Plano Piloto da Barra da Tijuca, criado pelo urbanista Lúcio Costa em 1969, o bairro começou a crescer e a se desenvolver. Assim, um ano depois, a construção da Autoestrada Lagoa -Barra foi o primeiro passo rumo ao crescimento da Barra da Tijuca e o que podemos ver atualmente. Contudo, bem longe do que temos hoje com uma Avenida das Américas extensa com 12 pistas, seis de ida e seis de volta, a Barra se dividia em uma pista única de mão dupla. Dessa maneira, aqui ainda era um bairro visto como extremamente longe de se chegar.

Porém, com a força de suas associações, a presença maciça de seus órgãos que sempre lutaram para melhorar o bairro, a Barra cresceu e com o tempo começou a ganhar a importância que temos hoje. Inicialmente eram poucos os condomínios que tínhamos aqui, destaque para os condomínios residenciais Nova Ipanema e Novo Leblon, além de um dos mais antigos condomínios comerciais, o Condado de Cascais. Todos eles sobreviveram aos anos e viram seus imóveis serem valorizados com expansão do bairro que ganhou imponência e se transformou em um verdadeiro pólo econômico da cidade.

Hoje é difícil contabilizar o número de condomínios dos dois segmentos no bairro, além de shoppings, concessionárias, hospitais, hotéis, entre outros. Segundo pesquisa Censo de 2010 a Barra possuía cerca de 135.924 habitantes e estima que até 2030 esse número já tenha dobrado, assim, basta passear pelo bairro para ver que a pesquisa não está errada em sua previsão. Com o tempo a Barra passou a ganhar mais pontos de acesso, além de ser extremamente fácil chegar por Jacarepaguá, seja pela Estrada dos Bandeirantes, Avenida Geremario Dantas ou Rua Edgar Werneck, além das serras Grajaú-Jacarepaguá e o Alto da Boa Vista, o que trouxe ainda mais facilidades de se chegar ao bairro.

Assim, junto com o crescimento, outro ponto que precisou crescer para acompanhar o bairro foi a mobilidade urbana. A Barra ainda vem nesse processo de melhorar a sua acessibilidade e deixar para trás a idéia de que a Barra da Tijuca é um local distante, de difícil acesso e que apenas de carro é possível se chegar no bairro. Por isso, não é difícil abrir o jornal e se deparar com inauguração de novas ruas, abertura de vias, entre outras ações para melhorar o acesso, seja para a Barra ou para sua vizinha Recreio dos Bandeirantes. 
Uma pesquisa realizada pela Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) em 2013, mostrou que os dois bairros com a maior quantidade de carros por morador da cidade é a Barra e o Recreio. A pesquisa apontou que há cerca de mais de 140 mil automóveis apenas dos moradores dessas regiões, sem contar os automóveis que vem de fora do bairro, como da zona norte, zona sul e Jacarepaguá. Em segundo lugar vêm Ipanema e Leblon, com dois moradores por automóvel.

Dessa maneira, passou-se a ser realizado inúmeras obras para ajudar a resolver os diversos problemas que começavam a se moldar no trânsito do bairro. O trânsito passou a ser tanto que chegava a ser comparado, inclusive, com o trânsito pesado encontrado em bairros da zona sul, como Copacabana.

Para combater isso, diversas vias, antes fechadas, foram abertas, como por exemplo a Avenida Vice-Presidente José de Alencar, localizada dentro do condomínio Cidade Jardim, a via antes fechada foi aberta para auxiliar o acesso das pessoas no período dos Jogos Olímpicos 2016. Outra recente rua aberta foi a continuidade da Avenida João Cabral de Mello Neto, para tentar desafogar o trânsito nos horário de pico na Avenida Ayrton Senna.

Comodidade dentro do condomínio

Outro fator que vem como um grande auxílio na mobilidade urbana da Barra, tanto no quesito de diminuir o número de carros na rua, como a facilidade para quem mora na região, mas não dirigi ou optou por não ter carro, são os ônibus particulares que muitos condomínios da Barra e Recreio possuem. A ideia é facilitar o deslocamento dos moradores de maneira segura e confortável, uma vez que o morador é pego dentro do condomínio por um ônibus de viagem, em direção ao seu destino.

Esse conforto é incumbido nos valores pagos para as associações de moradores dos condomínios, ou como no caso do Parque das Rosas, para uma Comissão de Transporte, não ligada à associação. A idéia caiu no gosto dos condomínios com o passar dos anos e hoje é comum ver ônibus das empresas Util, Tursan, Doce Rio, Venus, entre outras, rondando as avenidas do bairro. Alguns desses modais fazem o transporte dos moradores para dentro do bairro e para outros pontos da cidade, como o centro, passando pela zona norte e zona sul.

Além de mais conforto do que o transporte público, o principal ponto que atrai novos moradores a se mudarem para os condomínios com seus ônibus particulares está em relação à segurança. Afinal o transporte é rastreado 24h e fica em contato constante com a central, além de ser bastante pontual com o seu cronograma. Além do usuário não precisar ficar de olho em quem entra no ônibus também é outro diferencial, afinal, todos são moradores cadastrados. Entre os condomínios que possuem uma rota mais completa, podemos destacar os ônibus do condomínio RIO2 e ABM.

Em muitos casos, os ônibus acabam servindo inclusive para se deslocar dentro do próprio condomínio, como é o caso da Península. Como não possui nenhuma linha de ônibus que passe por dentro dele e possua uma área muito extensa, cerca de 780mil m², diversos moradores e prestadores de serviço utilizam os ônibus para se deslocar dentro do próprio condomínio.

O fato de ser dado um limite de pessoas cadastradas, geralmente por apartamento, para a utilização do modal, esse se torna outro fato que permite com que os ônibus não fiquem lotados o tempo inteiro. Na maioria das vezes é possível ver um número alto de acentos vazios. Pois embora muito utilizado, ainda é uma parcela pequena do total de moradores que utilizam as linhas de ônibus do condomínio, vide as reuniões de transporte dentro dos residenciais.

Além de todos esses ganhos já citados, por serem ônibus terceirizados, nem a associação dos moradores e nem seus moradores precisam se preocupar em pagar mais por conta da manutenção dos modais, todos eles ficam de responsabilidade de suas empresas.

Além disso, muitas empresas de ônibus acabam trazendo alguns “agrados” aos moradores, como o caso da Doce Rio que criou um ônibus “Jardineira”, com designer diferenciado para guardar pranchas e bicicletas dos moradores do Cidade Jardim que querem ir a praia, e fazem todo mês, uma viagem pelo estado do Rio para os moradores do Pontal Oceânico.
A Barra é para pedestres também

A idéia inicial de que a Barra da Tijuca é feita apenas para quem possui carro vem sendo quebrada com o tempo. Um grande passo para essa mudança de paradigma começou em 2012, criado pelo então prefeito da cidade, Eduardo Paes, o Bus Rapid Transit and System, comumente chamado de BRT, nasceu como plano para que o Rio de Janeiro fosse escolhido para sede das Olimpíadas 2016.
A primeira linha criada foi o BRT Transoeste, ligando a Barra da Tijuca, na altura do Terminal Alvorada, até o bairro de Santa Cruz, cruzando de ponta a ponta o bairro do Recreio. Apenas na primeira linha, os usuários de ônibus conseguiram diminuir em mais da metade o tempo de percurso de ida e volta para o trabalho, além de, muitas vezes, diminuir a necessidade de pegar mais de um ônibus para ir até o seu destino. No ano de 2014 foi inaugurado a Transcarioca, com 39 km de extensão e 45 estações, ligando a Barra até o Aeroporto do Galeão, passando por Jacarepaguá e pela zona norte da cidade.

Já o ano de 2016 trouxe duas novas evoluções para o BRT. A chegada do Corredor Transolímpica, que liga a Barra até Deodoro, e a extensão do BRT dentro da Barra, chegando até a região do Jardim Oceânico e se ligando a outro modal importante para a evolução do bairro, o metrô Linha 4. Todo o projeto do BRT recebeu financiamento do Ministério das Cidades, Ministério dos Transportes, e Governo Fluminense além do capital da prefeitura e empréstimos do BNDES. As obras estão sendo feitas pelas construtoras Andrade Gutierrez, Invepar, Queiroz Galvão e Odebrecht, simultaneamente.

Outro fator importante que o BRT trouxe foi a economia no gasto de passagem. Uma vez dentro do BRT, o usuário poderá pegar quantos modais forem necessários até o seu destino pagando apenas uma passagem. Contudo, atualmente o modal passa por grandes dificuldades com a falta de segurança, depredação das estações, a inadimplência dos usuários e pouco recurso para cuidar de um dos maiores legados olímpicos. Somados a briga sobre quem deve ser considerado o responsável pelos cuidados com o BRT é também um grande problema enfrentado e vem fazendo com que o modal perca sua qualidade inicial no transporte

Porém, na Barra da Tijuca, as estações podem ser considerada as melhores, além de atualmente contar com um reforço de peso dentro dos modais da região. Os polícias do 31ºBPM fazem de maneira regular diversas incursões dentro da estação, indo de uma a outra dentro dos ônibus para trazer mais segurança e tranquilidade para os usuários. Contudo, no quesito tempo, mesmo com os atuais problemas, o BRT continua sendo uma saída mais rápida para quem quer ir para diversos pontos, ainda mais nas horas de pico, uma vez que ele usa pistas exclusivas.

O maior legado dos transportes

Embora tenhamos uma nítida queda no legado do BRT, o mesmo não acontece com outro grande marco que os Jogos Olímpicos 2016 deixaram na cidade, o metrô Linha 4. Utilizado por mais de 200 mil pessoas por dia, a chegada da primeira estação do metrô é uma luta antiga da região que desde 1994 já pedia pela chegada dos vagões subterrâneos.
Criado pelo Consórcio Rio Barra, a Linha 4 interliga a zona sul até a Barra da Tijuca, através de seis estações, saindo da Estação General Osório, em Copacabana, e indo até a Estação Jardim Oceânico na Barra da Tijuca. Aliás a estação Jardim Oceânico do metrô é interligada também na estação do BRT, de mesmo nome, tendo uma entrada exclusiva para quem quer ir de um modal para o outro.

A chegada do metrô pode ser considerada uma das maiores obras da cidade, afinal em menos de sete anos foram escavadas e criadas cerca de 16km de trilhos para a criação da Linha 4. Se comparados as demais estações a nova linha possui quase o mesmo tamanho que o metrô da Linha 1, que possui 17 km. A chegada do metrô possibilitou a diminuição não só do tempo de viagem, mas também a diminuição dos carros no bairro, uma vez que pelo metrô trajetos como a ida da Barra ao Centro pode ser feita em apenas 35 minutos, anteriormente era necessário gastar-se até duas horas no trajeto.

Outro fator de extrema importância está no número de pessoas que apenas uma viagem pode trazer. Enquanto a capacidade dos ônibus é de 70 pessoas, apenas uma viagem pode carregar até 300 pessoas pelo metrô. Possibilitando um maior conforto para os passageiros no ir e vir do trabalho, além do fator tempo, que mesmo com o modal lotado, o passageiro passa bem menos tempo de viagem.

Para o futuro, ainda há estudos e planejamentos para que a Linha 4 seja expandida para o Recreio e Jacarepaguá. O que seria uma solução para os atuais problemas enfrentados pelo BRT, seja pela estrutura dos ônibus e pela melhoria e comodidade na hora do transporte.

Porém, com os atuais problemas financeiros do estado, a ampliação da linha parece estar longe de acontecer. Embora haja um projeto de lei de autoria dos deputados André Ceciliano (PT), Luiz Martins (PDT) e da ex-deputada Rosangela Gomes, a lei 8074/18 autoriza o Estado do Rio de Janeiro a realizar um estudo de viabilidade técnica para a expansão do metrô.

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fonte: https://www.jornaldabarra.com.br/destaques/3130-a-evolucao-da-mobilidade-da-barra-da-tijuca

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