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Publicada em 01/11/2020 às 21:48
Mudança de sede do Museu Casa do Pontal, prevista para 2021 para a Barra da Tijuca, abre novas possibilidades
Mudança de sede do Museu Casa do Pontal, prevista para 2021 para a Barra da Tijuca, abre novas possibilidades
A sede do Museu Casa do Pontal, no Recreio dos Bandeirantes (Foto: Leandro Muniz)

Localizado no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro, próximo a reservas ambientais e com uma arquitetura com características domésticas, o Museu Casa do Pontal sofre, desde 2010, com problemas de alagamentos decorrentes dos aterros criados para a construção de condomínios no bairro. A instituição iniciou, no mês de outubro, o processo de mudança para sua nova sede, na Barra da Tijuca, prevista para abrir em 2021. Como despedida da sede no Pontal, a exposição permanente, rebatizada de Até Logo, Até Já, com cerca de duas mil obras, segue em exibição até 8/11.

Após cinco anos de negociações e análises que apontaram que as inundações são resultado das grandes construções nos arredores do museu, a Prefeitura do Rio de Janeiro reconheceu sua responsabilidade na questão: cedeu um terreno na Barra da Tijuca por um período de 50 anos renováveis e garantiu R$ 7,5 milhões para a construção da nova sede do museu, que arcaria com o montante restante para a obra. A empresa construtora Calper, que estava em dívida com a Prefeitura, seria responsável por destinar para a obra o valor referente à parte da administração municipal.

As obras estavam em andamento desde 2016, mas foram interrompidas por quebra de contrato da construtora responsável e o projeto só foi retomado em 2019, após um grave alagamento que levou o museu a criar um crowdfunding para finalizar a construção, que também conta com apoio de patrocinadores pontuais privados. O novo cronograma prevê a inauguração da nova sede para o segundo trimestre de 2021, com uma grande exposição de longa duração com os destaques do acervo.

Projetado pelo escritório Arquitetos Associados, o novo prédio tem um desenho modernista, mais aberto e arejado e conta com 2600m² de área construída, possibilitando múltiplas narrativas curatoriais. Localizado no Bosque da Barra, uma região mais populosa, o prédio também ficará mais acessível, próximo de outros espaços culturais da zona oeste carioca, como a Cidade das Artes, ainda que mantenha o entorno arborizado e sua relação com reservas naturais – características do prédio original. Após a mudança, o segundo andar do prédio no Recreio dos Bandeirantes será destinado à reserva técnica do acervo. 

Repensando o popular

Fundado em 1976 pelo artista e colecionador Jacques Van de Beuque, o Museu Casa do Pontal é uma instituição privada destinada a colecionar e apresentar a arte popular brasileira, sendo um dos maiores especializados nesse assunto no país. O acervo possui mais de 9 mil obras de 300 artistas, como Mestre Vitalino, Manuel Galdino, Zé Caboclo, Noemisa Batista e Adalton Fernandes Lopes. 

A sede no Pontal apresenta o acervo em vitrines que classificam as obras por temas comuns às produções daqueles artistas, como festas populares, profissões, hábitos culinários, religiosos etc., narrando em crônica as diversas experiências de seus contextos e imaginários. Essa abordagem antropológica é mais do que uma classificação passiva ou tipológica, pois ressalta as diferenças entre esses artistas. A vitrine de igrejas, por exemplo, reúne obras com uma variedade de recursos formais, materiais e acabamentos, que apresentam diferentes compreensões do papel da religião, tanto entre comunidades quanto entre indivíduos, mostrando como esses artistas lidam com a experiência espiritual, do drama à contenção, da melancolia à alegria. 

“Usamos essa nomenclatura, ‘arte popular’, por muito tempo, pois era necessário reconhecer a importância desses artistas”, diz a curadora Angela Mascelani à Select. “Foi uma estratégia para criar visibilidade mas, agora, já pode ser desconstruída, para vermos a individualidade de cada um”.

O Museu Casa do Pontal é uma instituição familiar que resiste às fragilidades de sua própria constituição e à falta de incentivo para a continuidade do projeto. Além de colecionar e pesquisar a “arte popular” produzida no Brasil, é um caso exemplar de iniciativa privada que atende  a interesses públicos. A mudança para a nova sede na Barra, além de garantir a adequada preservação e manutenção desse acervo para as futuras gerações (vale ressaltar a extrema fragilidade de materiais geralmente empregados nas obras do acervo, como argila crua ou madeira não tratada), é uma oportunidade de abrir outras narrativas e interpretações sobre os artistas e suas individualidades, para além das categorias em que foram inseridos.

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fonte: https://www.select.art.br/repensar-a-arte-popular/

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