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Publicada em 05/12/2020 às 16:12
Heliporto no Recreio dos Bandeirantes onde bicheiro foi morto tem 64 câmeras, mas nenhuma registrou o momento do crime
Heliporto no Recreio dos Bandeirantes onde bicheiro foi morto tem 64 câmeras, mas nenhuma registrou o momento do crime
Divulgação

A Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro está sentindo falta de algumas peças importantes na investigação da morte do bicheiro Fernando Iggnácio, como mostrou o RJ2 nesta quinta-feira (3).

Desde o dia do assassinato, ocorrido no dia 10 de novembro, o núcleo de imagens da Polícia Civil busca entender a falta das principais imagens do crime.

O equipamento da empresa HeliRio, dona do heliporto onde Iggnácio foi morto, foi apreendido. São 64 câmeras instaladas dentro da sede, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste da cidade.

Os investigadores, no entanto, não conseguiram acessar todo o material gravado. Dois técnicos da Vertec, empresa que forneceu o sistema e que faz a manutenção das câmeras do heliporto, foram convocados para tentar solucionar o problema.

Algumas imagens foram acessadas, mas o que chama a atenção da polícia é que quase todas as vezes em que Fernando Iggnácio deveria aparecer no vídeo, as gravações são cortadas. Veja abaixo na reportagem a sequência de imagens registradas.

A DH intimou a Vertec para dar explicações. A empresa enviou um laudo informando que no dia do crime houve um problema que foi classificado como um “reset involuntário”, que fez com que as câmeras passassem a registrar tudo com a data de 1980.

Imagens e troca de equipamento

A polícia apurou que no dia 6 de novembro, quatro dias antes do crime, os técnicos da Vertec chegaram à sede da HeliRio para fazer a troca de sistema de monitoramento por um equipamento mais moderno.

Nesse mesmo dia, o bicheiro Fernando Iggnácio estacionou seu carro na garagem da HeliRio e embarcou em seu helicóptero para Angra dos Reis, no Sul do RJ.

No dia 10, os funcionários da Vertec continuaram o serviço. Um deles foi almoçar pouco depois do meio dia. Por volta de 13h15, os criminosos que estavam no terreno ao lado fuzilaram Fernando Ignacio com tiros de fuzil. As câmeras mostram que nenhum funcionário entrou na sala de controle de câmeras neste intervalo.

Segundo a polícia, uma das imagens perdidas pelo problema no sistema de monitoramento é o momento do assassinato.

As câmeras 1 e 2 mostram o helicóptero pousando. Outras duas câmeras registram o carrinho de golfe ao longe levando Fernando Iggnácio até o estacionamento dos carros. A partir daí as câmeras do lado de fora do escritório não registram mais nada.

Uma outra câmera de dentro mostra o pânico das pessoas que esperavam no local. Os tiros arrebentaram vidros. As imagens mostram pessoas se jogando no chão, sem entender o que acontecia. Dois minutos mais tarde, um segurança é filmado correndo atrás do escritório, sem entender o que está acontecendo.

A câmera 7, instalada no portão principal, no entanto, não pegou essa movimentação Virada para o estacionamento, a câmera registrou alguma movimentação até 19 minutos antes do crime.

A imagem revela um segurança passando perto do muro onde os assassinos estavam escondidos, na mata do terreno vizinho. Mas ele segue adiante e entra numa sala ao lado sem nada perceber. Depois disso, o sistema troca as imagens, e a mesma câmera 7 passa a captar o que acontece dentro do hangar, onde vários helicópteros estão estacionados.

Quando a mesma câmera volta a registrar imagens do pátio, já se passaram mais de duas horas e não aparecem viaturas da polícia e o rabecão dos bombeiros dentro da empresa.

A DH diz que não vai comentar as investigações, que estão em andamento. Mas o RJ2 apurou que a polícia está em busca de explicações de uma outra empresa, que vendeu as câmeras para a Vertec, para entender o motivo da pane no sistema.

Edmar Neves, CEO da Vertec, explicou que o sistema – com quatro anos de uso - estava passando por um processo de substituição naquela semana.

“Foi feito um laudo técnico, contando a anomalia que estava acontecendo no equipamento. Não sei se o delegado vai solicitar maiores esclarecimentos ao fabricante. Mas não foi só essa câmera. Aconteceu com todo o sistema, todas as 64, que já vinham apresentando problema. Não aconteceu só com a câmera que filmou o Fernando Iggnácio”, explicou o representante da empresa.

Suspeitos

De acordo com Moisés Santana, diretor da Delegacia de Homicídios da Capital, a morte de Iggnácio pode ter quatro possíveis autores: um motorista e outros três executores.

Os quatro suspeitos foram identificados através de câmeras de segurança de um estabelecimento vizinho. Todos eles estão foragidos:

Pedro Emanuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro, o Pedrinho (ex-PM);
Ygor Rodrigues Santos da Cruz, o Farofa;
Otto Samuel D'Onofre Andrade Silva Cordeiro, PM da ativa em SP;
Rodrigo das Neves, PM da ativa no RJ.

O "Fantástico" mostrou que os assassinos chegaram ao local do crime com quatro horas de antecedência e preparam o terreno, camuflados.

Câmeras próximas ao heliporto mostram os bandidos em um matagal vizinho ao Heliporto. Eles passaram as madrugadas anteriores no local.

A polícia identificou um carro que pode estar envolvido no ataque. De acordo com as investigações, o veículo, um Corolla preto com placa clonada, foi encontrado na Rua João Melo, próximo ao Condomínio Vera Cruz, mesmo local para onde o grupo seguiu, dentro de um Fox branco, após matar Fernando Iggnácio.

O Fox branco, também com placa clonada e que foi usado na ação criminosa na Barra da Tijuca, continua desaparecido.

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fonte: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2020/12/03/heliporto-onde-bicheiro-fernando-iggnacio-foi-morto-no-rio-tem-64-cameras-mas-nenhuma-registrou-o-crime.ghtml

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