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Publicada em 05/12/2020 às 16:29
Poluição da Lagoa da Tijuca já chega a 4 km da orla da Praia da Barra
Poluição da Lagoa da Tijuca já chega a 4 km da orla da Praia da Barra
Divulgação/Mario Moscatelli

As águas poluídas por cianobactérias da Lagoa da Tijuca já chegam a cerca de quatro quilômetros de distância da orla da Praia da Barra da Tijuca, saindo pelo Canal da Joatinga. O risco de contaminação pelos banhistas de contraírem doenças graves é grande e o sinal de alerta já foi dado pelo biólogo Mário Moscatelli, que, num sobrevoo no dia 26 de novembro, constatou a presença dessa bactéria até nas Ilhas Tijucas.

De acordo com o biólogo, essa é uma situação recorrente mas que, a cada ano, vem se agravando ao ponto de virar um problema de saúde pública.

— Só para se ter uma ideia, neste dia a mancha saía do Canal da Joatinga e atingia o condomínio Alfa Barra. E isso devido à quantidade de cianobactérias produzidas no sistema lagunar da Baixada de Jacarepaguá, fruto do despejo de esgoto. Acontece agora, principalmente, por causa das altas temperaturas e da intensa luminosidade, o que proporcionam, com o esgoto, as condições ideais de insalubridade para as cianobactérias deitarem e rolarem — alertou Moscatelli.

O pesquisador também ressaltou que a disseminação da água poluída depende das condições das correntes e do vento, que neste dia soprava de leste, vindo da Pedra da Gávea. Assim, a mancha verde abacate que ficava restrita ao Quebra-mar e à Praia do Pepê, agora chega a cerca de 4 km do canal da Joatinga. Ele também falou sobre os riscos das pessoas no contato e ingestão dessa água contaminada.

— A presença de cianotoxinas pode causar dermatite, reações alérgicas na pele, problemas gastrointestinais e, nas situações mais graves, hepatite e até câncer de fígado. Isso é científico — alarmou. — Se alguém consumir pescado contaminado, mesmo que cozido, nada adianta. Elas são acumulativas, não são eliminadas.

As fotos divulgadas por Moscatelli mostram também três ilhas próximas à comunidade de Rio das Pedras que foram formadas por lama, lixo e esgoto, atrapalhando o escoamento até às ecobarreiras:

— E nem precisa de maré alta. Elas se tornam um problema social de 70 mil pessoas.

Risco maior para as crianças

Aloysio Ferrão, pesquisador em saúde da Fundação Instituto Oswaldo Cruz e especialista em Ecotoxicologia, alertou para o risco que crianças correm ao mergulharem, por exemplo, na Praia dos Amores, no Canal da Joatinga, que é frequentada por muitos banhistas, incluindo crianças.

— E o limiar de tolerância a toxinas para elas é menor. Portanto, há um risco maior para crianças. Inclusive, muitas vezes, as crianças acabam engolindo um pouco de água durante a natação, o que aumenta ainda mais o risco. Mas tudo vai depender da frequência de exposição — alertou Aloysio.

Há cerca de um mês, segundo o biólogo, a Secretaria estadual do Ambiente e Sustentabilidade (Seas) instalou três novas ecobarreiras para reter o lixo jogado nas lagoas por moradores de comunidades como Gardênia Azul, Curicica e Cidade de Deus e do bairro de Jacarepaguá.

— A monstruosidade do problema que nós estamos vivendo aqui nessa região é de dar medo. São 300 toneladas de lixo por mês. Situação gravíssima e que não é nova mas está se agravando. E a solução é aquela que já devia de ter sido implantada há 30 anos, que é o saneamento universalizado — comentou.

Por nota, o Instituto estadual do Ambiente (INEA), órgão ligado à Seas, mencionou a instalação de ecobarreiras e disse que faz o monitoramento da qualidade da água bimestralmente em oito pontos da região:

"O Inea vem atuando arduamente para diminuir os impactos da poluição das lagoas da Barra da Tijuca. Temos instaladas e operando cinco ecobarreiras, que impedem que resíduos flutuantes e plantas macrófitas cheguem ao sistema lagunar, evitando assim, ainda mais a poluição das lagoas. Reforçamos ainda que o órgão ambiental realiza o monitoramento da qualidade da água do sistema lagunar de Jacarepaguá (Lagoas de Jacarepaguá, Camorim, Marapendi e Tijuca), em oito pontos, com frequência bimestral. Os boletins com os resultados do monitoramento das lagoas está disponível portal do Inea".

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fonte: https://oglobo.globo.com/rio/poluicao-da-lagoa-da-tijuca-ja-chega-4-km-da-orla-da-praia-da-barra-24781529

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