Busca:
Notícias Notícias:
Publicada em 14/12/2020 às 15:54
Pouco conhecidas por cariocas e turistas, ilhas Primeira, da Coroa e da Gigoia são boas opções de passeio
Pouco conhecidas por cariocas e turistas, ilhas Primeira, da Coroa e da Gigoia são boas opções de passeio
Vista do Bar Caiçara, já tradicional na Ilha da Gigoia Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo
  • Pouco conhecidas por cariocas e turistas, ilhas Primeira, da Coroa e da Gigoia são boas opções de passeio
  • Pouco conhecidas por cariocas e turistas, ilhas Primeira, da Coroa e da Gigoia são boas opções de passeio
  • Pouco conhecidas por cariocas e turistas, ilhas Primeira, da Coroa e da Gigoia são boas opções de passeio
  • Pouco conhecidas por cariocas e turistas, ilhas Primeira, da Coroa e da Gigoia são boas opções de passeio

Ainda desconhecidas por muitos cariocas e visitantes da cidade, as ilhas da Coroa, Primeira e da Gigoia, as mais urbanizadas entre as nove localizadas na Lagoa da Tijuca, são um refúgio para quem busca tranquilidade em meio ao movimento da cidade. Parte de um conjunto chamado de Veneza Carioca, próximas ao Largo da Barra, ao Jardim Oceânico e ao Itanhangá e acessíveis por barco, as três joias do arquipélago têm muito a oferecer. De estabelecimentos tradicionais a novidades, suas ruas estreitas, a maioria de terra, abrigam pousadas, restaurantes e ateliês quase sempre pertencentes a moradores. Em tempos de staycation, ou a necessidade de turistar perto de casa para reduzir os riscos de contaminação pelo novo coronavírus, elas se tornam uma alternativa ainda melhor.

Inaugurado na Ilha da Coroa no início do mês, o Um Gastronomia (3437-8009) é uma novidade: primeiro restaurante na Barra dos sócios Bruno Magalhães, Bruno Vaz e Conrado Rodrigues, dos bares Botero, Liga dos Botecos e Tango e Bucaneiros, o empreendimento marca o retorno do trio à alta gastronomia. Com vista para o Canal da Barra, a casa, de culinária contemporânea e com uma pegada de comfort food, aposta em um menu de drinques e comidas autorais, assinado por Vaz e Magalhães.

— O cliente da Barra é diferente, e para nós sempre foi difícil fazer a sua leitura. Quando demos consultoria para o Bar do Zeca Pagodinho, no Vogue Square, começamos a entender melhor esse público e surgiu o convite para abrirmos o restaurante nesse espaço — conta Vaz.

Com capacidade para receber 120 pessoas nos ambientes interno e externo, o restaurante funciona de quinta a domingo, do meio-dia à meia-noite, ao som de música ambiente com curadoria da Mood FM. Nos outros dias da semana, a ideia é alugar o espaço para eventos fechados. O Um também vai oferecer serviço de bufê para o vizinho Rio Beach Club. O acesso ao restaurante é feito pelo Largo da Barra, ao lado da 16ª DP, onde há um estacionamento para clientes. Não é permitida a entrada pelo deque, e trajes de banho são vetados.

— A Ilha da Coroa é promissora, mas também um grande desafio, porque normalmente é um local de passagem, não de destino. Com o cardápio autoral, esperamos atender ao que diagnosticamos como uma demanda da região da Barra, que é carente de restaurantes conectados com a natureza. A maioria fica dentro de shoppings — explica Vaz.

Restaurante em casa, ou vice-versa

Com o fechamento do Hotel Janeiro, o chef de sushi bar Guilherme Campos resolveu durante a pandemia abrir um restaurante dentro de sua casa, na Ilha da Gigoia. O Magokoro, que leva no nome o estado de espírito de amor incondicional e pleno pela vida, recebe apenas oito pessoas de cada vez e atende mediante reserva por telefone (99683-0990) ou pelo Airbnb (abnb.me/biz45fBe5bb). O chef, que já passou um mês no Japão e foi capacitado pelo governo do país para fazer iguarias da culinária local, oferece menu degustação e às escuras. Nada de salmão, que, segundo Campos, está repleto de química, ou atum, que está em extinção. O chef só trabalha com os peixes encontrados na região, como bonito, olho de cão e marimbá. Prepara também opções veganas e vegetarianas caso seja a opção do comensal. 

—É um restaurante que funciona dentro de uma casa, e uma casa que é dentro de um restaurante. Por isso, só atendemos com reservas e fazemos delivery caso o cliente queira. Trabalho com os peixes locais porque é mais exótico — explica o chef.

Os peixes são comprados de acordo com a oferta. Para a conservação, Campos combina diferentes técnicas e geralmente opta por usar ingredientes que ajudam a manter a qualidade do insumo e ao mesmo tempo deixam-no mais saboroso, como sal e vinagre. A administração do estabelecimento fica a cargo de sua mulher, Juliana Frota. Os dois se conheceram em seus antigos empregos e estão juntos há cinco anos. O chef gosta da nova rotina:

— No início eu sentia falta do deslocamento, porque ia trabalhar de bicicleta, fazendo exercício. Era também quando eu fazia a transformação do Guilherme em chef. Agora já me acostumei, e a qualidade de vida aumentou.

Além da experiência de degustação, o Magokoro tem uma parceria com a empresa Léo Taxi Boat (96509-4246), que oferece passeio de barco até as Ilhas Tijucas.

— A ideia é oferecer experiências aos clientes, e incorporamos a nossa ao serviço dele, que é ex-pescador e meu amigo — destaca.

O Magokoro funciona de quarta a domingo, a partir das 19h. Para chegar é preciso pegar um barco na entrada próxima à Unimed, na Avenida Armando Lombardi 400.

Durante a pandemia, o produtor de eventos Karan Cabral também passou a trabalhar em casa. Mas em outra função: foi para a cozinha preparar pães e foccacias de fermentação natural. Mas na sua geladeira só cabiam cinco pães, e não demorou para fosse criada uma lista de espera para atender à demanda. O negócio ganhou um nome, Kangaia Pão Artesanal, e logo o padeiro ganhou uma geladeira, e seu pai e um amigo o ajudaram a comprar um forno profissional para aumentar a produção.

— Meu sustento hoje é dos pães e de um frila ou outro que surge. Já estou estudando abrir um espaço para levar o pão nascido na Ilha Primeira a mais pessoas. Nasci e fui criado em Visconde de Mauá e, como lá não tinha nada, meus pais faziam nosso pão fresquinho. Cresci aprendendo a cozinhar, mas, quando vim para o Rio, minha vida virou a de cidade grande e parei de fazer os meus pães. Na pandemia, retomei a produção e a paixão se reacendeu. O processo é mesmo apaixonante, tanto que tem muita gente fazendo o próprio pão — salienta o agora produtor e padeiro.

Cabral produz cerca de 80 pães por semana, incluindo opções como tradicional, integral, gorgonzola com lascas de amêndoas, provolone defumado com tomilho, azeitona com alecrim, linguiça defumada com queijo Canastra, foccacias e tortanos (pães italianos de massa laminada coberta com linguiça e enrolada como rocambole), com valores que vão de R$ 7 a R$ 55. As entregas são realizadas às terças e quinta-feiras. Aos sábados, ele vende os produtos na feira do Freeway, na Avenida das Américas 2.000. As encomendas devem ser feitas com 48 horas de antecedência pelo telefone 97241-7410 ou pelo Instagram @kangaiapaes.

Ateliês, um jeito mais intimista de ir às compras

Para quem busca opções fora da gastronomia, as ilhas também são os endereços de muitos artesãos. Na Ilha da Coroa, as primas Tatyane e Suely Lima abriram há dois anos e meio o Lima Atelier (99984-3428 e 99987-6422). Além do trabalho de vendas feito pelo Instagram (@lima.atelier), elas aceitam encomendas e recebem clientes com hora marcada.

— Fazíamos fronhas para ocupar o tempo. Depois, começamos a fazer roupa de cama, mesa e banho, cortinas, almofadas, estofamento, jogos americanos, sousplats, guardanapos, toalhas de mesa, lençóis de berço, colchas, cangas de praia. Vendíamos para amigos e ampliamos a nossa rede — conta Tatyane, em cuja casa foi instalado o ateliê.
 
Com a pandemia, o bazar de Natal este ano será virtual:

— No fim do ano e no Dia das Mães costumávamos promover o Encontro das Artes, que reunia dez expositores aqui no ateliê com música ao vivo. Era o único momento em que deixávamos a porta aberta para quem quisesse entrar. Devido à Covid-19, achamos melhor cancelar os eventos. Todos estão com medo, até mesmo nós, que já tivemos a doença.

Na Ilha da Gigoia, há um ano o casal Roberta Pomo e Iran Medeiros abriu o ateliê Caminho do Mar (99447-1074 e 98070-8289). O artesão é Medeiros, que também pesca, faz caça submarina e atua como marceneiro, criando tudo com inspiração no mar. Roberta cuida da administração e da venda de pratas. No local são oferecidos ainda artigos para pesca.

— Mesmo tendo acabado de inaugurar quando veio a pandemia, resistimos. O que nos ajudou foram as pessoas que passavam por aqui e pediam para fazer compras. Ainda não implementamos as vendas on-line — conta Roberta.

O ateliê abre quinta e sexta, das 16h às 20h; e aos sábados e domingos, do meio-dia às 23h. O público de fora da ilha costuma aparecer no fim de semana:

— As pessoas adoram visitar a nossa loja. É um ambiente externo, fora de shopping. Mas ainda estamos sendo descobertos.

A pedido dos clientes, o casal passou a oferecer cervejas geladas, quiches, azeitonas e amendoim. Bem ao lado fica o Bar Caiçara (2484-7983), que é da irmã de Roberta, e o casal também permite que os compradores peçam pratos no local para degustar no ateliê.

— Aqui é tudo em família, é ótimo —atesta Roberta.

O Bar Caiçara, de Fernando Mendes e Tathiana Soares Pomo, foi inaugurado na Ilha da Gigoia há oito anos, quando só existia o Bar do Cícero no local. O casal mora atrás do bar. O estabelecimento promove shows, e seu palco também é usado para as aulas da Trupe do Mangue. No cardápio há petiscos, frutos do mar, sanduíches e opções vegetarianas.

— O pessoal adora o clima da ilha, porque nem parece que estamos no Rio — afirma Mendes.

Na Gigoia ficam os estabelecimentos mais tradicionais do arquipélago: o pioneiro Bar do Cícero é conhecido por seus pratos de frutos do mar e pastéis. A Alla Pergola serve pizzas elogiadas. Outras opções são o Gigoia Bistrô e o Gioia Cuccina Italiana, com um belo gramado e pet friendly.

Outras dicas, já na Ilha Primeira, são o Cais Bar, especializado em frutos do mar, e o Maracuyá, inaugurado há três anos por Vinícius Cunha e sua mulher, moradores da Gigoia.

— Nosso forte são os petiscos, mas temos pratos com peixes e frutos do mar. As pessoas também nos procuram pelas noites com samba e forró e pelo almoço dançante. Nosso público vem de fora da ilha. O pessoal gosta de pegar barco e curtir o clima daqui, que é bem diferente, tem tranquilidade — diz Cunha.

Quem quiser pernoitar nas ilhas para aproveitar melhor o passeio também tem boas opções, como a Pousada da Gigoia (3215-5330) e a Pousada Barra Eco Boutique (98560-9142), na Ilha Primeira.

« leia mais notícias

fonte: https://oglobo.globo.com/rio/bairros/pouco-conhecidas-por-cariocas-turistas-ilhas-primeira-da-coroa-da-gigoia-sao-boas-opcoes-de-passeio-1-24792955

Cadastre-se para receber a nossa newsletter: