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Publicada em 28/12/2020 às 16:23
Moradores da Barrinha se unem contra nova escola
Moradores da Barrinha se unem contra nova escola
Fluxo de veículos escolares na Estrada do Joá Foto: Leitor

Ao perceberem movimento de obra na Estrada do Joá 3.680 e descobrirem que ali se instalaria a Escola Sociointerativa de Aprendizagem por Projetos (SAP), moradores da Barrinha se mobilizam para impedir o projeto. Formado por sete associações da região, o movimento argumenta que o trânsito do sub-bairro já é sobrecarregado pelo ir e vir provocado pelas 12 escolas existentes atualmente na área. Foi protocolada uma denúncia no Ministério Público estadual, e uma manifestação está programada para janeiro.

— No nosso bairro, estamos encurralados entre a Pedra da Gávea e o mar. Em toda a Barra da Tijuca, há 33 escolas e quase um terço delas fica na Barrinha. São 11 particulares e uma municipal. O bairro tem ruas pequenas, estreitas, não dá para dois carros passarem em fila dupla. Aqui há no máximo dez ruas, e destas, quatro são fechadas por condomínios. As que sobram são de acesso a escolas. Não somos contra a escola em si, mas contra os transtornos que ela vai trazer — diz Janaína Uzai, uma das moradoras à frente do movimento.

A Barrinha já tem os colégios Liessin, Sociedade Educacional Girassol, Essencial Creche Escola, duas unidades do PH, duas do Centro Educacional Espaço Integrado, duas da Escola Suíça, duas da Escola Pedra da Gávea e a Escola Municipal Jackson de Figueiredo. A vizinhança reclama que a região fica completamente intransitável com o movimento ocasionado pelas instituições, com carros, ônibus e vans escolares parando de forma desordenada, inclusive sobre calçadas e em frente a portões de garagem.

— O problema das escolas é muito especial, porque traz grande fluxo de veículos o dia inteiro. Às 7h, é uma confusão só, e isso acontece de novo ao meio-dia, com os pais buscando os filhos que foram cedo e os alunos que estudam à tarde chegando. Às 15h, também tem movimento do pessoal que fica em período semi-integral. Às 17h, mais uma movimentação de saída, que vai até umas 18h. Você não consegue sair nem entrar no bairro. Se tiver uma emergência e precisar acionar uma ambulância, por exemplo, é o caos — relata a moradora Carla Saboya.

Um estudo de autoria da arquiteta e urbanista Margareth Velloso, também moradora da região, foi incluído na denúncia ao MP, indicando a falta de infraestrutura da Barrinha para receber mais um polo gerador de tráfego como uma unidade de ensino, sobretudo porque, como explica o documento, o bairro possui apenas duas vias de escape: a Ponte Velha da Barra da Tijuca e a Estrada do Joá, com apenas 7m e 8m de largura, respectivamente. E esta última ainda sofre constantes interdições em dias de fortes chuvas ou para manutenção.

— Aqui é um bairro de muitos idosos e adultos; o número de moradores em idade escolar é mínimo. As unidades de ensino atendem à população de fora, trazendo um trânsito fora do comum, já que escolas são conhecidamente um polo gerador de tráfego, porque cada ida da criança à escola representa quatro viagens: os pais levam, voltam para casa, depois vão buscar e retornam para a residência de novo. Mais um colégio não vai trazer nenhum benefício para a comunidade, só vai tornar a região sem possibilidade de escape de segurança, porque o trânsito vai parar — afirma Margareth.

Assinam a petição contra a instalação da Escola Sap a Associação de Moradores da Barra Antiga (Amaba), a Associação de Moradores do Itanhangá Leste (Ama-IL), Associação dos Moradores e Amigos do Quebra-mar (Amaq), Associação de Moradores do Jardim Oceânico (Amjo), Associação de Moradores da Barrinha (Amob), Associação de Proteção à Ilha da Coroa (Apic) e a Associação Amigos da Rua Jackson Figueiredo (Jako).

— O principal motivo de apoiarmos esse movimento é porque a sobrecarga viária na Barrinha também atinge o Itanhangá, já que quem sai da Barrinha faz o contorno próximo ao Condomínio Itanhangá Hills para pegar a Ponte Velha. Sou professora e preocupada com a educação, mas já temos escolas demais — argumenta a presidente da Ama-IL, Maria Lúcia Mascarenhas.

Lideranças do bairro chegaram a se reunir uma vez com o diretor do grupo que controla a escola, André Gusman, que teria feito promessas de melhoria no bairro, segundo Janaína Uzai:

— Foi uma reunião saudável, não foi discutida muita coisa. Ele disse que a escola seria maravilhosa e que iria somar com o bairro. Prometeu reformar as praças daqui, mas a gente não acredita nessas promessas. A Escola Suíça fez a mesma coisa e não cumpriu nada. Além disso, a gente não quer que organize praças. Questionamos: "Você vai ter como aumentar as ruas?". Naquele momento, ele percebeu que o problema era o trânsito, e não a escola.

A Secretaria municipal de Urbanismo informa que a obra na Estrada do Joá 3.680, na Barra da Tijuca, está com a licença em vigor, com transformação de uso. Diz que o local, onde funcionava um hotel, passará a uma unidade de ensino. Ressaltou, no entanto, que ainda não há alvará para funcionamento de escola no espaço.

Em nota enviada pela assessoria, André Gusman, diretor da Raiz Educação, grupo do qual faz parte a Escola Sap, afirmou que qualquer manifestação é legítima e que está aberto ao diálogo. Diz, ainda, que a mobilização representa uma parcela pequena dos moradores e que o desejo é que a escola seja parceira do bairro, buscando soluções em todas as áreas, sejam elas relacionadas ao trânsito ou a questões sociais. Promete ajudar a revitalizar o entorno e mostrar como uma escola pode ajudar na questão do trânsito. Afirma que depois de se reunir com lideranças do bairro, decidiu mudar o projeto do estabelecimento, que contará com entrada e saída de veículos por dentro da escola, com uma rotatória para mais de 20 carros simultâneos, sem impactar o trânsito do bairro. 

A nota diz ainda que a escola já possui mais de 200 matriculados, sendo a grande maioria da Barrinha e das adjacências. A unidade começará a operar em 2021, acolhendo alunos de 4 a 15 anos, do ensino infantil ao 9º ano. Em 2022, o objetivo é iniciar turmas do ensino médio. O horário de funcionamento será das 7h45m às 17h45m.

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fonte: https://oglobo.globo.com/rio/bairros/moradores-da-barrinha-se-unem-contra-nova-escola-24808675

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