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Publicada em 18/02/2018 às 09:26
Espécie exótica de tucano vem aparecendo com frequência em Jacarepaguá e nas Vargens
Espécie exótica de tucano vem aparecendo com frequência em Jacarepaguá e nas Vargens
Tucano Tucanuçu ou tucano toco é exótico do Rio de Janeiro - Gilberto Mesquita / Foto
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Os ouvidos atentos do motorista Luiz Koteles, morador da Estrada da Boiúna, na Taquara, fazem seus olhos apontarem para a direção da mata. É comum ele encontrar por ali, pela manhã, tucanos da espécie Ramphastos vitellinus ariel, mais conhecidos como tucanos-de-bico-preto, com seu canto alto e estridente. Nos dias de sorte de Koteles, os mais ousados chegam perto do seu quintal para comer os frutos de uma goiabeira. Embora more na região há 38 anos, ele afirma que passou a notar as aves, que geralmente voam em dupla, nos últimos três anos. Antes disso, sua presença era rara, conta. Foi a alguns quilômetros dali, perto da Grajaú-Jacarepaguá e da Estrada dos Três Rios, que Koteles teve uma nova surpresa, no fim do ano passado. Avistou um tucano-toco, ou tucanuçu (Ramphastos toco), com bico amarelo, voando sozinho em direção à borda da mata.

— Ele estava em uma árvore que lembra um coqueiro. Quando passei, eu o vi voando no sentido da mata. Foi a primeira vez que encontrei um tucano de bico amarelo aqui. Os que costumo ver são os de bico preto — conta Koteles.

Gerente das Unidades de Conservação do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e biólogo, Andrei Veiga explica que a observação de Koteles está correta. O tucano-de-bico-preto é nativo da região e costuma viver dentro e nas bordas da Mata Atlântica, mas é comum aparecer em copas de árvores e em estratos mais baixos. Nas proximidades do Parque Estadual da Pedra Branca (PEP), é mais fácil encontrá-los. Seus hábitos alimentares variados também fazem com que se aproxime das áreas residenciais próximas da floresta. Além de frutas, os tucanos se alimentam — pela manhã e no cair da tarde — de filhotes e de ovos de aves, pequenos insetos, sementes e até filhotes de ratos. A diversidade alimentar contribui para que a espécie frequente diversos ecossistemas fluminenses. Ou seja, basta um pouco de atenção para flagrar uma dessas aves no Rio, principalmente na região de Jacarepaguá e das Vargens. Logo no início da sede do PEPB, é possível avistar um ninho do tucano-de-bico-preto.

A novidade por aqui é o tucanuçu, uma espécie que não era encontrada no Rio de Janeiro. Não se sabe há quanto tempo esses tucanos começaram a aparecer no estado, mas nos últimos anos eles têm sido vistos com mais frequência. Natural do Cerrado e também de alguns lugares da Amazônia e da Mata Atlântica, o animal, que é considerado um símbolo do país, foi atraído pela descaracterização de alguns ambientes fluminenses, principalmente devido a queimadas e desmatamentos. Como não penetra em áreas de mata densa, encontrou nas regiões devastadas mais espaços para viver. Segundo Veiga, ainda não há estudos sobre o impacto que pode causar aqui, mas ele afirma que existe a possibilidade de a espécie competir com os tucanos-de-bico-preto por recursos.


— Não compete inteiramente, mas disputa existe, porque eles têm os mesmos hábitos alimentares, embora o nativo esteja mais acostumado com a alimentação da Mata Atlântica do Rio. Se os tucanuçus vierem em quantidade muito grande, isso pode ser um problema, mas não existem muitos estudos a esse respeito. O ideal é que pesquisemos para saber se eles estão causando impactos negativos. Existe uma diferença entre exótica, que é a espécie que não existe naquele ecossistema, e exótica invasora. Será que essa espécie causa um impacto muito grande? Não se pode afirmar. O que se pode dizer é que, por causa da descaracterização dos ambientes, eles acabaram migrando de forma espontânea para outros locais, o que chama a atenção da comunidade científica — explica Veiga.

O termo exótica invasora é uma classificação para espécies exóticas que, com a sua dispersão, ameaçam a biodiversidade. De acordo com a Secretaria de Estado do Ambiente, há divergências científicas sobre a hipótese de o tucano-toco ser um invasor. Até o momento, ele não figura na lista de referência do órgão sobre o tema.

Professor de Zoologia e de Medicina de Animais Selvagens da UFF e autor do livro "Exóticos invasores: bioinvasores selvagens introduzidos no estado do Rio de Janeiro e suas implicações", Sávio Freire Bruno afirma que é delicado até classificar os tucanuçus como exóticos, uma vez que eles ocorrem na Mata Atlântica:

— O que eu percebo é que a população era rarefeita, vista com pouca frequência. E agora vem se adensando, há uma abundância cada vez maior de indivíduos no nosso estado. O tucanuçu tem capacidade de se adaptar em campos abertos de forma geral. O desmatamento e as mudanças do nosso estado estão facilitando sua dispersão.

Já Luiz Pedreira Gonzaga, professor do departamento de Zoologia da UFRJ, acrescenta que ainda é cedo para falar sobre os efeitos da presença do tucanuçu, mas até o momento enxerga-a com bons olhos.


— Não espero que o tucanuçu vá competir com as espécies nativas porque não entra na mata. Ele não vai usar as áreas que o tucano-de-bico-preto usa e vice-versa. Mas são necessários estudos sobre o caso. O mau maior já foi feito, com o desmatamento e a enorme expansão da cidade. Com isso algumas espécies se expandem e outras se retraem. A natureza vai se autorregulando. Por enquanto é mais um bicho para colorir a nossa fauna.

Veiga também reforça que a espécie, que já sofre com a caça e o tráfico devido à sua beleza, deve ser preservada:

— A população tem que entender isso para que não ocorra com o tucano-toco o que está acontecendo com os macacos (que vêm sendo mortos por pessoas que acreditam que eles sejam transmissores da febre amarela).

Guarda-parque do Parque Estadual da Pedra Branca, em Vargem Grande, Felipe Tubarão, também biólogo, ressalta que o tucano-toco é um predador de topo, com grande potencial de caça e tem um bico maior do que o de outras espécies. Já o tucano-de-bico-preto, por ter hábitos generalistas (comer de tudo e em várias horas do dia) e viver em áreas descampadas, como o Cerrado, consegue se adaptar a áreas mais urbanas. Prova disso é que no fim do ano passado, o morador da Freguesia Gilberto Mesquita encontrou uma dupla da espécie, provavelmente um casal, no topo de sua antena parabólica, na Rua Potiguara. Apaixonado por fotografia, ele prontamente registrou os animais.

— Moro no último andar de um prédio. Já tinha visto papagaios, gaviões. Mas, no fim do ano passado, eu ouvi um barulho diferente e corri para ver o que era. Dois tucanos estavam ali pousados em cima da antena parabólica. Estavam muito tranquilos, ficaram ali um pouquinho e depois voaram para o morro. Não sabia que não eram daqui do Rio, só fui descobrir quando postei na internet e as pessoas me falaram — lembra ele.

Em casos como este, Tubarão aconselha a não alimentar os bichos.


Uma grande placa a poucos metros da entrada do Parque Estadual da Pedra Branca (PEPB) anuncia a presença de abelhas nativas da região. Chamadas de meliponíneos, elas não têm ferrão e levam o néctar coletado das flores para dentro de suas colmeias. Uma vez desidratado e misturado a enzimas salivares, ele se transforma em mel, após algum tempo de fermentação. As características das 14 espécies de abelhas encontradas no parque, algumas bastante raras, eram apresentadas ao público em um circuito com 30 casinhas ornamentais de madeira que lhes serviam de colmeias. Inaugurada em junho de 2016, a Trilha do Mel, uma parceria do parque com Furnas e a ONG Natureza Doce, teve quatro de suas colmeias raras furtadas.

Desde que começaram as obras de reformas e de revitalização das novas edificações da sede, em novembro passado, o PEPB ficou sem vigilantes no período da noite. O horário de expediente dos guarda-parque vai até as 19h, e eles não têm autorização para revistar os visitantes. Num certo dia, quando os funcionários chegaram ao parque, pela manhã, notaram a ausência de três colmeias. Para evitar outros crimes, diz um deles, as restantes foram guardadas e só voltarão a seus lugares ao fim da reforma.

O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) explica que a primeira colmeia foi furtada em abril, quando solicitou apoio do Comando de Policiamento Ambiental para a ronda noturna e foi atendido. Em novembro, já durante a reforma, desapareceram outras três, e o órgão informa que orientou a unidade de policiamento ambiental localizada no interior do parque a retomar a vigilância noturna. Após o término das obras e a normalização dos serviços, serão instaladas novas caixas de abelhas.

Ainda segundo o Inea, em abril ou maio deste ano serão contratados guardas patrimoniais, através de um projeto já aprovado na Câmara de Compensação Ambiental. Eles farão a fiscalização não só do PEPB, mas também de outras unidades de conservação.

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fonte: https://oglobo.globo.com/rio/bairros/especie-exotica-de-tucano-vem-aparecendo-com-frequencia-em-jacarepagua-nas-vargens-22406369

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