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Publicada em 12/04/2018 às 09:51
Parques municipais terão R$ 4 milhões para aplicar em revitalização
Parques municipais terão R$ 4 milhões para aplicar em revitalização
Lagoinha das Taxas, no Parque Chico Mendes, está repleta de gigogas, mas o visual continua lindo - Brenno Carvalho / Agência O Globo
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Como uma das últimas cidades a ter trechos da Mata Atlântica, o Rio é repleto de parques urbanos, nem sempre bem conservados. Historicamente, a grande dificuldade dos seus gestores é a falta de orçamento próprio. Por isso, recentemente eles tiveram o que comemorar: um contrato de um ano foi firmado, no fim de março, contemplando reparos pontuais feitos por 78 funcionários, de auxiliares de serviços gerais a biólogos, em 14 parques, sendo a metade na região de Barra, Recreio e Jacarepaguá. É o Conservando Parques. A prefeitura anunciou também a retomada do programa Guardiões dos Rios, agora batizado como Conservando Rios. O Canal das Taxas, porém, um dos que mais recebem demanda de limpeza, não será contemplado, a princípio.

O contrato do Conservando Parques tem valor de R$ 3.948.206,34. Os recursos são oriundos da Ternium, que comprou a Companhia Siderúrgica do Atlântico. Pelos termos da transação, metade dos benefícios fiscais de R$ 170 milhões concedidos à empresa em 2005 deveria ser aplicada em medidas compensatórias ambientais. A Secretaria de Conservação e Meio Ambiente (Seconserma) explica que, desde 2010, a empresa deixou de cumprir a determinação, mas a prefeitura voltou a cobrar a verba.

O principal objetivo do projeto foi garantir a contratação de pessoal, já que a mão de obra é escassa nos parques e bosques. Estarão à disposição 40 auxiliares de serviços gerais e trabalhos externos, 17 funcionários administrativos, oito vigias, três biólogos e dez motoristas. As unidades da Área de Planejamento 4 (Barra, Recreio, Vargens e Jacarepaguá) a serem atendidas são: Grumari, Prainha, Marapendi, Chico Mendes, Bosque da Barra, Mello Barreto e Bosque da Freguesia. Completam a lista, no restante da cidade, os parques do Mendanha, Dois Irmãos, da Cidade, da Catacumba, da Chacrinha, do Grajaú e Darke de Mattos, em Paquetá.

Nos últimos meses, a Seconserma fez vistorias para mapear as principais demandas. Ficou evidente a grande quantidade de pequenos problemas, de estruturas danificadas à falta de papel higiênico nos banheiros. Nas unidades que costumam receber mais visitantes, como era de se esperar, a ajuda se faz ainda mais urgente. O Bosque da Barra, por exemplo, costuma atrair entre 3.500 e quatro mil num fim de semana de sol. A expectativa é que receba mais cinco funcionários para atuar na manutenção e na parte administrativa.

Cada parque municipal tem sua vocação, que pode ser a visitação ou a preservação. A do Bosque da Barra é clara: o espaço se consolidou como um dos principais espaços para passeio no bairro, e fica lotado de famílias fazendo piqueniques nos fins de semana. Também são promovidas atividades como palestras sobre temas variados e aulões de pilates e ioga.

O Bosque da Barra recebe milhares de visitantes, mas não tem estrutura adequada para isso - Brenno Carvalho / Brenno Carvalho

O Bosque da Freguesia também organiza eventos fixos, todos gratuitos: são 25, de alongamento a reiki e futebol. O espaço tem ainda uma biblioteca infantil. Por causa dessa demanda, a gestora do parque, Vera Baldner, celebra a assinatura do novo contrato de manutenção.

— Vamos conseguir mais funcionários para ajudar a tratar da cobertura verde e do administrativo, além de mais ferramentas e de melhora na manutenção predial. O contrato não é a solução de tudo, mas já ajuda bastante — afirma Vera, contando que ainda não houve uma reunião com todos os gestores, para que cada um saiba que tipo de reforço sua unidade vai receber. — Cada parque receberá recursos diferentes.

No Parque Chico Mendes, no Recreio, a maior demanda é de pessoal. Em termos de reparos, a prioridade é o conserto do deque da Lagoinha das Taxas, que já foi vistoriado pela Seconserma. Mas, antes mesmo da ação do poder público, a comunidade ajudou a manter o parque funcionando em boas condições. No ano passado, uma nova associação foi criada por moradores do Recreio: a Amigos do Parque Chico Mendes. Graças a essa ajuda, foram feitos consertos na parte elétrica e hidráulica do espaço, além de pintura e instalação de um bebedouro. Outra vertente de atuação do grupo é divulgar o trabalho feito no Chico Mendes, para que a comunidade o valorize.

— Os moradores seguraram a barra nos últimos meses. Agora, precisamos de algumas coisas da parte de manutenção. Há muitos anos não havia aplicação de medida compensatória aqui. O material humano vai ajudar muito — celebra Isa Anesi Ururahy, gestora do parque.

A unidade também deve receber cinco novos funcionários. Além disso, os biólogos contratados vão ajudar nos cuidados com os jacarés e as tartarugas mantidos em cativeiro no Chico Mendes. Atualmente, há um contrato de convênio com a Rio Zoo, mas, no dia a dia, o trabalho fica a cargo principalmente de voluntários e estagiários.

Presidente da Associação de Moradores do Recreio (Amor) e integrante do Amigos do Chico Mendes, Simone Kopezynski celebra o projeto da prefeitura, mas ressalta que é preciso garantir sua continuidade:

— Temos muitos parques maltratados na cidade. O Chico Mendes sempre sofreu com a falta de recursos, mal tem papel higiênico. No último temporal, caíram várias árvores, e há troncos lá até hoje. Aprovamos a iniciativa, mas vamos cobrar que ela continue depois de um ano. Precisamos de políticas que viabilizem a existência dos parques.

O temor de o programa não ter continuidade em 2019 passa inclusive pela troca de secretário de Conservação e Meio Ambiente. Na última segunda-feira, Jorge Felippe Neto deixou o posto para se candidatar nas próximas eleições. Antes, garantira ao GLOBO-Barra que não havia com o que se preocupar. Segundo ele, a expectativa era que a pasta recebesse pelo menos mais R$ 20 milhões ou R$ 30 milhões de verbas resultantes dos benefícios fiscais concedidos à Ternium.

— Para o ano que vem, espera-se no mínimo mais R$ 4 milhões. É fundamental que o programa se torne uma política pública — afirmou, na semana passada, o então titular da Seconserma. — O contrato serve para o gestor de parque se tornar um gestor de soluções, e não de problemas. Eles pedem isso há 14 anos.

Apesar de defender o investimento, Felippe Neto frisou que os parques têm potencial para se tornarem autossustentáveis:

— Em qualquer lugar do planeta é assim. As unidades de conservação podem ter um restaurante ou um ecoparque, respeitando seus princípios ecológicos e a legislação.

O Bosque da Freguesia tem 25 eventos fixos, e gestora diz que novo contrato ajuda na preservação da área verde - Brenno Carvalho / Brenno Carvalho

O novo titular da Seconserma, Roberto Nascimento, confirma a importância do contrato de manutenção:

— Este convênio é fundamental para a manutenção dos parques. Pequenos reparos, como troca de placas, lâmpadas, bicas e papel higiênico, poderão ser prontamente feitos, fazendo destas unidades locais preparados para receber a população. Esperamos aumentar ainda mais a visitação com estas melhorias que há muito eram solicitadas pelos gestores e frequentadores.

Guardiões dos Rios volta com novo nome

Outra novidade anunciada pela Seconserma foi o Conservando Rios, como foi rebatizado o programa Guardiões dos Rios, extinto em 2016. O projeto vai manter sua essência: empregar moradores de comunidades que farão o trabalho de limpeza de lixo superficial de rios e canais e ajudarão na educação ambiental da população. A diferença, agora, é que os agentes vão ser contratados diretamente pela prefeitura. Antes, isso era feito por meio de ONGs.

Para esse projeto, também vão ser usados recursos da Ternium, mas apenas na compra de equipamentos. A maior parte virá do orçamento próprio da pasta. No total, serão cerca de R$ 2 milhões para um ano de serviço. Além da atuação de moradores de comunidades, haverá a figura do agente educador ambiental, que terá a missão de ajudar a fiscalizar os trabalhos e fazer a integração com o poder público. Os primeiros cursos d’água a receberem o programa, que começou na semana passada, foram o Canal do Pavuninha, em Curicica, e o Canal do Anil, na Gardênia Azul.

Nos últimos meses, a secretaria mapeou os rios da cidade com maior grau de deterioração e os que mais precisam de drenagem. Ao todo, ao longo do projeto, serão criados 25 núcleos de mutirão, com dez pessoas cada. A lista ainda não está completa, diz a Seconserma, e, dependendo da arrecadação da prefeitura ou da entrada de recursos via emendas parlamentares, o número de núcleos pode aumentar para 50.

O Canal do Pavuninha, em Curicica, foi o primeiro da região a receber o programa Conservando Rios - Zeca Gonçalves / zeca gonçalves/21-11-2016

O regime, acrescenta, será de mutirão remunerado, a exemplo do que acontece no Mutirão de Reflorestamento. Outros canais contemplados serão o do Portelo e o do Cortado.

A pasta diz que o Canal das Taxas não foi incluído no projeto porque lá é necessário uso de maquinário pesado, e o trabalho deve ser feito pela Fundação Rio-Águas. Além disso, há o limite físico. O Conservando Rios não teria recursos suficientes para atuar em cursos d’água extensos, como o Canal das Taxas, que tem inclusive trechos largos, aos quais só se chega de barco.

Há anos, o Canal das Taxas convive com a poluição e, por isso, moradores dos arredores frequentemente pedem que o poder público envie equipes para limpá-lo — as gigogas estão entre os principais problemas. Alguns afirmam que o antigo Guardiões dos Rios contemplava o canal e era eficaz.

— Além de promover a limpeza, o programa ajudava a conscientizar a população — afirma Simone Kopezynski. — Numa reunião, há duas semanas, eu pedi para o então secretário atuar no canal, e ele disse que não tinha dinheiro. A gente insiste, mas há problema também de interesses políticos. Há dois meses, tiraram o maquinário daqui e levaram para o Guerenguê. O rio até precisava mesmo do serviço, mas, no fim das contas, o trabalho no Canal das Taxas não foi concluído.

Fundador do Movimento de Despoluição do Canal das Taxas, Antônio Melo reconhece que, inicialmente, é preciso usar retroescavadeira no canal. Mas afirma que, depois, o Conservando Rios seria útil e eficaz.

— O canal está com muitas gigogas, então as máquinas são necessárias. Mas, depois que elas são tiradas, o que a gente sempre pede é manutenção. O Guardiões dos Rios funcionava bem. Claro que eles não vão cuidar de esgoto, mas você consegue tirar a sujeira superficial aos poucos, o que ajuda muito — explica Melo, lembrando que o Parque Chico Mendes dispõe de um barco. — Ele poderia ser usado para o trabalho na Lagoinha das Taxas.

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fonte: https://oglobo.globo.com/rio/bairros/parques-municipais-terao-4-milhoes-para-aplicar-em-revitalizacao-22577656

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