Novas construções no Morro do Banco, no Itanhangá, avançam sobre a Mata Atlântica - Jardim Oceânico 
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Publicada em 07/06/2018 às 10:06
Novas construções no Morro do Banco, no Itanhangá, avançam sobre a Mata Atlântica
Novas construções no Morro do Banco, no Itanhangá, avançam sobre a Mata Atlântica
Obras irregulares no alto do Morro do Banco - fotos de Bárbara Lopes
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Desde 2002, o Morro do Banco, no Itanhangá, conta com um ecolimite que deveria servir para conter novas construções em direção à mata. No entanto, residências continuam sendo erguidas, uma situação criticada inclusive por moradores da comunidade. O resultado, além do desmatamento, é o aumento do acúmulo de lixo e de problemas de saneamento básico que contribuem para a degradação da Lagoa da Tijuca.

Na semana passada, a equipe do GLOBO-Barra esteve no ponto do ecolimite, onde havia construções sendo erguidas. As estruturas são mais altas que as das casas comuns, fazendo concluir que vêm surgindo novos pequenos prédios na comunidade. Desde setembro passado, a Associação de Moradores do Itanhangá Leste (Amil) tem denunciado a situação à prefeitura.

— Quando a gente faz reuniões com a prefeitura, eles dizem que não têm capacidade de fiscalização. É uma omissão vergonhosa. A maioria dos moradores da comunidade, inclusive, é contra a verticalização e o surgimento de novas casas — diz Maria Lúcia Mascarenhas, presidente da Amil.

Ela conta que esteve no local em março, com representantes da Secretaria municipal de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação.

— Na ocasião, eles constataram as irregularidades. Mas fizeram uma interdição de boca, apenas. Disseram que voltariam com as notificações, o que não aconteceu até hoje — diz.

Cachoeira que passa pela comunidade está contaminada pelo esgoto - fotos de Bárbara Lopes

Em 2011, o Morro do Banco foi declarado Área de Especial Interesse Social, e novas construções foram proibidas. Em 2015, a comunidade já ocupava uma área de mais de 155 mil metros quadrados, segundo dados do Instituto Pereira Passos (IPP).

Uma das principais consequências do aumento populacional e do descontrole ambiental no Morro do Banco é o despejo irregular de lixo e esgoto. O problema afeta a comunidade e o restante do Itanhangá. Para piorar, o esgoto acaba desaguando na Lagoa da Tijuca, dizem os vizinhos.

— Aquela é uma Área de Proteção Ambiental, mas sua ocupação foi permitida — explica a advogada Rossana Rebechi, membro da Comissão de Direito Ambiental da OAB. — Primeiro, moravam ali alguns trabalhadores da região. Depois, foi instituído o Favela Bairro, e em 2002 colocaram o ecolimite para evitar a expansão na direção da Mata Atlântica, mas não houve controle. A qualidade de vida da população caiu, e a Comlurb não dá conta do lixo.

Dentro da comunidade, encontram-se diversos pontos de despejo ilegal de lixo. Um deles fica ao lado da casa de Alexandre Matias, que, irritado, instalou uma placa, repleta de palavrões, para tentar desencorajar o descarte.

— Não custa cada um levar seu lixo quando descer para trabalhar — reclama.

Uma atração do Morro do Banco é a cachoeira que passa por dentro da comunidade. Segundo Rossana, porém, o curso d’água já está comprometido pelo esgoto. A contaminação começaria no Alto da Boa Vista e seria agravada antes de chegar à Lagoa da Tijuca.

Montanhas de lixo são comuns no Morro do Banco - Agência O Globo

Outra consequência do acúmulo do lixo é a proliferação de mosquitos.

— Condomínios, colégios e clubes reclamam — afirma Maria Lúcia Mascarenhas.

A Secretaria municipal de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação diz que, quando a Gerência de Licenciamento e Fiscalização da Barra da Tijuca esteve no Morro do Banco, próximo ao ecolimite, não havia movimentação na obra, o que tornou impossível identificar o empreendedor e entregar a notificação. Agora, a Coordenadoria de Operações fará nova inspeção no local, podendo haver demolição da construção.

Na ocasião, houve vistoria também na Estrada do Pica-Pau 98, e todas as construções foram notificadas. Agora, corre um processo para apurar se as obras, já concluídas, são legalizáveis. Caso contrário, também poderão ser derrubadas.

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fonte: https://oglobo.globo.com/rio/bairros/novas-construcoes-no-morro-do-banco-no-itanhanga-avancam-sobre-mata-atlantica-22750845

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