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Publicada em 07/07/2018 às 08:49
Moradores da Ilha Primeira, na Barra, se uniram contra a chegada de milicianos
Moradores da Ilha Primeira, na Barra, se uniram contra a chegada de milicianos
Um dia após operação contra milícia, operários trabalham normalmente em costrução irregular na Ilha da Gigóia - Domingos Peixoto / Agência O
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À beira da Lagoa da Tijuca avista-se a Pedra da Gávea, as mansões do Itanhangá e as capivaras do clube de golfe no começo da Barra da Tijuca. Os moradores plantam trepadeiras nos muros das casas e organizam na única praça reuniões comunitárias para decidirem o que fazer quando têm um problema, ou quando decidem organizar uma festa, como a de São João. Atores consagrados são tratados sem cerimônia, como Dira Paes, Flávio Bauraqui e Tamara Taxman, que vivem neste recanto de apenas dez ruas onde não passam carros. A Ilha Primeira mantém sua tranquilidade graças ao isolamento e à resistência de seus habitantes. Ela fica a poucos metros da Ilha da Gigoia, onde uma operação policial na quarta-feira prendeu milicianos que já atuavam em outros bairros da Zona Oeste, e expandiram seus poderes até a ilha.

Mas não foi apenas lá que eles tentaram dominar. Os criminosos também quiseram entrar na Ilha Primeira há aproximadamente um ano e meio. A isca para fincar o pé na pequena ilha, muito menor do que a vizinha Gigoia, era a oferta de um serviço de TV a cabo, mais barato que o da única empresa que oferecia pacotes naquela época. Eles chegaram a instalar os cabos necessários no local, mas os moradores da Primeira, onde existem 400 residências, fizeram um acordo e não contrataram o serviço. A vitória, prova de união entre eles, trouxe preocupação: qual será a próxima investida?

GIGOIA: CONSTRUÇÃO DE CASAS IRREGULARES CONTINUA

A resposta pode estar no mercado imobiliário, principal foco da operação na Gigoia, onde as construções irregulares em terrenos comprados por milicianos continua a pleno vapor, como OGLOBO flagrou na tarde desta quinta-feira, apenas um dia após a operação realizada pela Polícia Civil. Há dois prédios em construção na Ilha Primeira e um terceiro que está parado por ter sido embargado em 2015. Este último deveria ter sido demolido em 2016 por ordem da Defesa Civil, que no ano seguinte, a partir de uma denúncia, foi novamente ao local e emitiu um laudo condenando a estrutura de quatro andares. A parede de tijolos fica colada à casa onde a administradora Sonia Lippi mora desde 2007 — ela trocou um apartamento em Botafogo pela ilha em 1998. Sonia vive em suspense desde que a obra começou. Sua casa está cheia de rachaduras e está sendo sustentada por seis grandes estacas de madeira. Tudo o que ela e seus vizinhos querem é a demolição do prédio.

— Aqui as casas têm sino na porta em vez de campainha, mas nossa tranquilidade está ameaçada. A obra foi embargada em agosto de 2015, e os laudos da Defesa Civil pediram urgência na demolição. Esse ano passei quatro meses fora da ilha, por medo de a casa desabar. Toda hora cai material de construção do prédio no meu telhado, minha casa está sendo destruída —protesta a aposentada.

A administradora Sonia Lippi teme por sua casa, vizinha a um prédio embargado desde 2015 - Domingos Peixoto / Agência O Globo

Em outro lado da ilha, o bate-estaca dura o dia inteiro enquanto mais um prédio de quatro andares é erguido. O proprietário pretende construir quitinetes no local, aproveitando-se da proximidade entre a ilha e o metrô da Barra da Tijuca, a apenas cinco minutos de balsa. Ele dizia aos vizinhos que construiria uma casa de dois andares, dentro do que legislação permite, para morar com sua família. Como ninguém o conhecia antes de ele aparecer e comprar o terreno, os moradores não podem afirmar que se trata de um miliciano, mas desconfiam. Já o terceiro prédio em construção, com três pavimentos, está embargado por irregularidades e, mesmo assim, a obra não foi interrompida.

Em 1981 um decreto municipal proibiu novas construções em qualquer uma das sete ilhas da Lagoa da Tijuca. Era uma regra que ninguém cumpria. Em 2014, o então prefeito Eduardo Paes sancionou uma lei que as transformava em Áreas de Especial Interesse Social (AEIS). O texto determinava que a prefeitura tomasse medidas para a regularização urbanística e fundiária das ilhas, aprovando normas para a ocupação do solo, o que ainda não foi feito. Responsável por autorizar construções, a Secretaria municipal de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação é o principal alvo de críticas dos moradores.

— Nosso trabalho é incansável. Queremos continuar vivendo dentro das regras e sem crimes ambientais. Nosso apelo é para que a prefeitura nos ajude, cumprindo seu papel de fiscalização — afirma Thamar Araújo, presidente da associação de moradores da Ilha Primeira.

Embora embargada, construção de prédio não foi interrompida na Ilha Primeira - Domingos Peixoto / Agência O Globo

A secretaria afirma que muitas construções têm liminares da justiça que impedem qualquer ação da prefeitura: algumas obras começam irregulares, mas conseguem o direito de legalização com processo em andamento. Em nota, o órgão disse que “executa com frequência ações de combate a construções irregulares na região”. Apenas no mês de junho, segundo a nota, “quatro condomínios foram destruídos nas imediações do Itanhangá”. Desde que a Coordenadoria de Segurança Urbana e Operações Especiais foi criada, em janeiro do ano passado, 379 obras irregulares foram derrubadas. "A maioria dessas construções, principalmente nas regiões Norte e Oeste, são de milicianos e traficantes de drogas", afirma a secretaria, que precisa de apoio policial para atuar nesses lugares.

Procurada para comentar sobre a volta dos milicianos à Ilha da Gigoia um dia após operação da Polícia Militar, a corporação não se pronunciou.

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fonte: https://oglobo.globo.com/rio/moradores-da-ilha-primeira-na-barra-se-uniram-contra-chegada-de-milicianos-22859086

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