A criação da Zona Sudoeste do Rio, sancionada pelo prefeito Eduardo Paes nesta terça-feira (6), reacendeu uma antiga polêmica: a luta de parte dos moradores pela emancipação da Barra da Tijuca. O movimento, iniciado nos anos 1980, nunca deixou de existir e segue ativo, defendendo a criação de um novo município que incluiria também o Recreio dos Bandeirantes.
O plebiscito de 1988
A primeira tentativa de emancipação ocorreu em 3 de julho de 1988, quando, após forte mobilização popular e autorização da Alerj, foi realizado um plebiscito. À época, nomes de peso como o publicitário Roberto Medina, criador do Rock in Rio, apoiaram a causa.
Apesar da intensa campanha, o projeto foi derrotado. Dos 47.955 eleitores aptos, apenas 6.217 compareceram. O “sim” obteve 5.785 votos, mas seriam necessários ao menos 23.978 para validar a proposta. A derrota, no entanto, não desmobilizou os defensores da causa.
“Não é questão territorial, mas de gestão”
À frente da mobilização atual está o jornalista Roberto Monteiro de Pinho, presidente da Associação Nacional e Internacional de Imprensa. Ele argumenta que o foco não é simbólico, mas administrativo:
— Não temos preocupação territorial; o foco da nossa emancipação é Barra da Tijuca e Recreio. O robusto desenvolvimento dessas duas áreas dá respaldo suficiente para a criação de um novo município — defende.
Segundo Pinho, os principais desafios da região são segurança, mobilidade e questões ambientais, como a poluição das lagoas e a falta de tratamento de esgoto. Ele lembra que, durante os Jogos Olímpicos de 2016, havia expectativa de expansão da Linha 4 do metrô até o Recreio, o que nunca ocorreu.
— O maior problema de todos é que o metrô não chega no Recreio — critica.
Desconfiança com a Zona Sudoeste
A criação da Zona Sudoeste, que inclui Barra, Recreio e Jacarepaguá, é vista com cautela pelo movimento pró-emancipação. Pinho questiona a efetividade do novo zoneamento e teme impactos tributários:
— Pelo que vi nas planilhas de planejamento urbano, querem fazer uma simetria de IPTU. Jacarepaguá passaria a ter um imposto igual ao da Barra, que é um dos mais altos da cidade. E não houve audiência pública para ouvir a população — disse.
O vereador Dr. Gilberto (SD), autor do projeto da Zona Sudoeste, rebateu. Segundo ele, em consulta feita à Secretaria municipal de Fazenda, foi confirmado que não haverá alteração nos valores de IPTU, já que a cobrança é vinculada às Áreas de Planejamento, que permanecem inalteradas.
“A Barra tem vida própria”
Os defensores da emancipação reforçam que a Barra tem arrecadação suficiente para se manter como município independente.
— Já temos espaço para uma prefeitura na região do BarraShopping, empresas prestadoras de serviço e administração regional. O que falta é gestão. A Barra tem vida própria — afirma Pinho.
Para ele, a emancipação garantiria que os recursos arrecadados fossem reinvestidos na própria região:
— O IPTU aqui é muito alto e o custo-benefício não é bom. É como pagar um condomínio caro e encontrar tudo desorganizado. A Barra cresce em ritmo acelerado, mas continua sofrendo com congestionamentos, poluição e falta de transporte público.
Próximos passos
Segundo Pinho, o movimento já apresentou documentação de viabilidade econômica e estrutural à Alerj, além de um plano diretor para a nova cidade. O objetivo agora é ganhar apoio político e popular para retomar a pauta.
— A emancipação não é fazer política, é buscar eficiência. A Barra tem arrecadação, identidade própria e condições de caminhar sozinha — conclui.



