Após ter o projeto interrompido pela pandemia, o Teatro Opus Città, nova casa de espetáculos da Barra da Tijuca, finalmente abre suas portas nesta sexta-feira (9), no Città Office Mall. A proposta é oferecer uma programação variada, que inclui desde peças teatrais e shows de música a apresentações internacionais. Até o fim do ano, o funcionamento será em esquema de soft opening, com destaque inicial para o humor como carro-chefe da agenda.
O novo espaço aposta em versatilidade, com três configurações possíveis de plateia: mesas e cadeiras, poltronas de teatro ou pista livre. A estrutura modular permite que o teatro seja adaptado conforme o tipo de espetáculo, ampliando o leque de atrações que podem ser recebidas.
— Seremos um teatro modular, cujo mapa de plateia varia conforme o tipo de espetáculo. Se tivermos um show internacional dançante, mais rock, temos o formato pista. Se for uma MPB intimista, mesas e cadeiras. Para um stand up comedy ou uma peça teatral, plateia. Isso nos dá a possibilidade de receber qualquer tipo de espetáculo, explica Graziele Saraiva, gerente-geral do Teatro Opus Città.
No formato pista, onde as poltronas do primeiro andar são removidas e apenas as dos andares superiores permanecem, a capacidade chega a 3 mil pessoas. Nas versões com poltronas e mesas, o teatro comporta 1.600 e 1.300 pessoas, respectivamente. A área externa também poderá ser aproveitada para eventos.
Inauguração com intercâmbio lusófono
A estreia do teatro será com o espetáculo de humor “Tons de Comédia”, que une três nomes da comédia lusófona: o brasileiro Murilo Couto, o português Hugo Sousa e o angolano Gilmário Vemba. O show já passou por países como França, Portugal, Irlanda, Angola e Moçambique antes de desembarcar no Brasil.

O comediante Murilo Couto faz apresentação em teatro — Foto: Divulgação
— Nunca inaugurei nenhum teatro. É uma pressão e uma moral, né? Ainda mais um bonitão assim. É uma honra estarmos lá com este show especial, celebra Murilo, que atualmente integra o elenco do “Domingão com Huck”, da TV Globo, após uma década no SBT.
O comediante destaca ainda o caráter cultural do projeto:
— Portugal consome muitos artistas brasileiros; quando nossos comediantes vão para lá, metade da plateia é portuguesa. O mesmo acontece em Luanda, Moçambique e Cabo Verde. Já o contrário não acontece muito. Aqui no Brasil, somos mais fechados. Quando vi esses caras, fiquei impressionado. Estava vacilando no meu mundinho, admite.
Programação internacional e nomes consagrados
Além do espetáculo de estreia, o Teatro Opus Città já tem outras atrações confirmadas. No dia 15 de agosto, será a vez do comediante americano Morgan Jay. A cantora cristã Kim Walker-Smith, também dos EUA, sobe ao palco em 7 de outubro, e o cantor mexicano Christian Chávez — conhecido por sua participação na novela Rebelde — se apresenta em 7 de fevereiro de 2026.
Entre os nomes nacionais que passarão pelo palco em breve estão Bruna Louise (16 e 17 de agosto) e Thiago Ventura (31 de agosto), dois dos maiores nomes do stand-up atual. Ambos acumulam milhões de seguidores nas redes sociais: Thiago tem 10,1 milhões de seguidores no Instagram e 6,35 milhões de inscritos no YouTube; Bruna soma 6,3 milhões no Instagram e 3,1 milhões no YouTube.

Foco inicial no stand-up e fase de testes
Durante o soft opening, a administração da casa — que faz parte da rede Opus Entretenimento, responsável por outros oito teatros no país — vai testar a operação, avaliando questões técnicas e de funcionamento após cada espetáculo. A princípio, não estão previstas temporadas longas de peças, apenas apresentações pontuais.
— O soft opening é um período de adaptação, formatação e organização. Isso em todos os setores que abrangem uma casa de espetáculo e um teatro. Desde formação da equipe, treinamento, pontos de vista técnicos, entendimento do funcionamento da casa a questões de acústica, luz e vídeos, entre outros, explica Graziele.
A escolha por começar com espetáculos de stand-up se deu pela facilidade técnica: geralmente são apresentações com poucos elementos cênicos, mas com forte apelo popular.
— É um tipo de produto cultural que arrasta multidões. O stand-up no Brasil vive um momento muito especial, com teatros de Norte a Sul sempre cheios, reforça.
Murilo Couto também comentou sobre o crescimento do gênero no país e a importância da estrutura dos novos espaços:
— O stand-up era algo de clubes ou teatro de médio porte. Nos últimos anos, tomou essa proporção. Estamos em teatros que eram reservados para grandes musicais, por exemplo. Agora qualquer vagabundo xingando ganha esse palco (risos), brinca. Com boa acústica e plateia confortável, conseguimos ter outro tipo de controle. Dá para fazer piadas mais sutis, explorar nuances. Em bares, há garçom passando, luz acesa. Já em grandes arenas, é difícil até manter a atenção do público.
Localização estratégica e estrutura diferenciada
O teatro aposta também em diferenciais estruturais. Há foyers com paredes de vidro em cada andar, com vista para a Pedra da Gávea — o que, segundo Graziele, torna o espaço bastante “instagramável”. A localização, próxima ao metrô Jardim Oceânico e com uma estação de BRT em frente, é outro trunfo.
— Estamos bem no início da Barra, perto do metrô e com uma estação do BRT logo na frente. É uma facilidade, já que sabemos que transporte público é uma dificuldade para quem consome shows e tem o hábito de ir à Barra. O estacionamento do Città também será uma vantagem, já que o movimento dos escritórios acontece durante o dia. No período noturno, quase todas as milhares de vagas estão disponíveis — destaca a gerente.



